16 de Junho de 2008 / às 17:17 / 9 anos atrás

Dunga garante que clássico contra Argentina motivará seleção

<p>Brasil quer dar resposta em cl&aacute;ssico com Argentina, diz Dunga. O t&eacute;cnico Dunga aposta na vontade dos jogadores da sele&ccedil;&atilde;o brasileira em recuperar-se ap&oacute;s duas derrotas seguidas para vencer a rival Argentina. 15 de junho. Photo by Paulo Whitaker</p>

Por Pedro Fonseca

BELO HORIZONTE (Reuters) - O técnico Dunga considera um duelo contra a Argentina como o ambiente ideal para uma reação do time que vem de duas derrotas seguidas. Ele aposta no brio mais do que no talento dos jogadores e, apesar da pressão da mídia e da indignação popular, rejeita mudanças radicais para a partida de quarta-feira em Belo Horizonte.

“Eu conheço a personalidade desses jogadores e a forma deles jogarem. Seguramente eles jogarão muito melhor nesse próximo jogo”, disse Dunga, em entrevista coletiva na capital mineira, local da partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 contra o principal adversário histórico da seleção.

“Eles querem dar uma resposta, querem entrar em campo para reverter essa situação”, acrescentou o treinador, com voz firme e aparentando tranquilidade, apesar dos gritos de “fora Dunga” da torcida brasileira durante o jogo em Assunção.

No primeiro contato com jornalistas em solo brasileiro após a derrota por 2 x 0 para o Paraguai, no domingo, Dunga disse que encara a pressão com naturalidade. O revés em Assunção foi o segundo consecutivo do Brasil, após a derrota pelo mesmo placar para a Venezuela em amistoso nos EUA há 10 dias.

“É natural quando não se ganha. Quando se ganhou a Copa América (em 2007), ninguém falou nada, era obrigação. Quando se perde, alguém tem que ser responsabilizado, e esse é o treinador”, disse.

Mais do que os resultados, as atuações recentes da seleção são motivo de maior preocupação. Com três volantes e apenas um homem de criação no meio-campo, a seleção foi totalmente ineficiente contra os paraguaios, permitindo ao time da casa o domínio completo da partida no primeiro tempo.

Depois que Roque Santa Cruz e Salvador Cabañas colocaram o 2 x 0 no marcador, Dunga até mandou o time para frente, mas sem organização. A equipe só ameaçou o Paraguai em duas finalizações de longe de Anderson. E nada mais.

“O treinador para mim não dá. Acho que não devia nem ter entrado”, disse à Reuters o colunista do jornal O Globo, Fernando Calazans.

“Nós estamos deixando de jogar futebol brasileiro. O Brasil com três volantes e o Paraguai com três atacantes é a total inversão de valores”, acrescentou.

<p>Dunga garante que cl&aacute;ssico contra Argentina motivar&aacute; sele&ccedil;&atilde;o. O t&eacute;cnico Dunga considera um duelo contra a Argentina como o ambiente ideal para uma rea&ccedil;&atilde;o do time que vem de duas derrotas seguidas. 16 de junho. Photo by Bruno Domingos</p>

“AGORA TEM QUE VENCER”

Para o ex-jogador e técnico da seleção brasileira Zagallo, a única forma para diminuir a pressão sobre Dunga é vencer a Argentina, como na final da Copa América de 2007, na Venezuela, quando o Brasil levou o título ao derrotar os arqui-rivais por 3 x 0.

“Claro que o técnico sente os problemas, vem de um amistoso perdendo da Venezuela e perdendo para o Paraguai. Dois jogos seguidos que a equipe não jogou bem. Agora tem que vencer”, disse à Reuters por telefone.

Baseado justamente na conquista do ano passado, Dunga indicou que não deve promover alterações no time para o jogo com os argentinos. Naquela ocasião, o time tinha a mesma formação tática, com o trio de volantes e Júlio Baptista na armação.

Para o treinador, a mudança de atitude pode valer mais do que trocar peças. Dunga acredita que a forma de jogar do Brasil no segundo tempo contra o Paraguai serve de inspiração para a próxima partida.

“Às vezes, uma mudança de atitude é muito melhor do que mudar o time. Já jogamos com esse meio-campo, já ganhamos, já perdemos”, afirmou, referindo-se à formação com Gilberto Silva, Josué, Mineiro e Diego.

A derrota para o Paraguai encerrou a invencibilidade da seleção brasileira nas eliminatórias. A equipe soma 8 pontos em cinco partidas, contra 13 pontos dos paraguaios, líderes, 10 da Argentina e 9 da Colômbia.

Se perder para a Argentina, o Brasil pode ficar 8 pontos atrás do líder do torneio e 5 atrás dos rivais.

“Acho que o Dunga vai manter as convicções dele, dar força para o time, e tem totais condições de vencer. O Brasil perdeu para o líder do torneio, é muito difícil vencer no Defensores (del Chaco)”, afirmou o técnico Abel Braga, campeão do mundo pelo Internacional em 2006 e atualmente no Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos.

Ainda que vença a Argentina, diante de 58 mil torcedores no Mineirão, e acalme temporariamente a pressão dos críticos, Dunga terá enormes desafios pelas frente. Em agosto, ele dirigente a seleção olímpica nos Jogos de Pequim, mesma competição que resultou na demissão de Vanderlei Luxemburgo em 2000, em Sydney, após uma derrota para Camarões nas quartas-de-final.

“O que não pode acontecer se ganhar é achar que está tudo resolvido”, alerta Calazans.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below