COLUNA-Acaba show da natação. Entra em cena nobreza do atletismo

sábado, 16 de agosto de 2008 11:54 BRT
 

Por Denise Mirás

SÃO PAULO (Reuters) - Quando a natação deixa os holofotes para dar lugar ao atletismo é hora de juntar as provocações olímpicas. Contra a tecnologia, rebate-se com a popularidade. Contra a participação mais democrática, argumenta-se com o espetáculo dos recordes.

A natação brilha no lançamento de novidades tecnológicas. O maiô-vedete, que funciona como uma espartilho para manter o corpo em posição ideal, apresenta detalhes que funcionam como escamas, em desenhos de canaletas como as costas de um pato, tudo para que a água deslize mais fácil, para que o efeito "arrasto" seja menor e assim o nadador ganhe microlésimos de tempo para festejar recordes.

Quando surgiu, em Barcelona-1992, o "avô" do LZR Racer, algumas atletas o usaram, mas era bem difícil acreditar que "mais era menos" no caso de trajes de natação.

Foi também nessa Olimpíada que as nadadoras apareceram com pequeníssimas tatuagens dos coloridos aros olímpicos na virilha -- que iriam evoluir mesmo para nomes de patrocinadores gravados na própria pele para "burlar" impedimentos publicitários da carta olímpica.

Em Sydney-2000, o maiô, em versão inteira ou "meia", já era equipamento indiscutível, na briga entre norte-americanos e australianos -- liderados por Ian Thorpe -- na bem fomentada rivalidade aquática.

A piscina também colabora. O ozônio já libertou olhos antes ardidos pelo cloro. As beiras são desenhadas para "engolir" água, de forma que não volte para dentro e atrapalhe a garotada olímpica, assim como as divisões das raias também "cortam" ondulações.

Em Pequim, o fundo reto -- nada de uma parte mais rasa e outra mais funda --, de igual profundidade (três metros, meio a mais que em Atenas-2004), também parece ajudar muito, já que os recordes se empilharam no Cubo D'Água, muito deles pelas "pernadas" de golfinho submersas de Michael Phelps e com traçado de um foguete que saem do fundo da piscina para avidamente estudadas por biomecânicos e especialistas em mecânica de fluidos.

A NBC, rede de TV norte-americana que paga 900 milhões de dólares nesta Olimpíada para ter os direitos exclusivos de transmissão para seu país, mandou mudar o programa de natação. As finais em Pequim foram disputadas pela manhã, para que fossem exibidas ao vivo no horário nobre nos Estados Unidos (à noite), e contentar os anunciantes que compram o horário mais caro do mercado publicitário do mundo.   Continuação...