16 de Agosto de 2008 / às 08:50 / 9 anos atrás

Depois do ouro, Cielo vai dar mais trabalho para irmã

<p>C&eacute;sar Cielo morde a medalha de ouro conquistada nos 50m livre, neste s&aacute;bado, nos Jogos de Pequim, a primeira da nata&ccedil;&atilde;o do Brasil na hist&oacute;ria dos Jogos. Photo by Jerry Lampen</p>

Por Alberto Alerigi Jr.

PEQUIM (Reuters) - Se depender da tietagem vista dentro e fora do Cubo D'Água de Pequim neste sábado, a irmã de César Cielo, Fernanda, não vai ter mais sossego em seu papel de seleção de namoradas para o nadador, primeiro a conquistar uma medalha de ouro olímpica na modalidade para o Brasil.

Torcedores brasileiros, chineses e até da França, que viram os franceses Alain Bernard e Amaury Leveaux perderem para Cielo, correram atrás de seu momento com o novo astro da natação do Brasil, que distribuía autógrafos para quem pedisse, sem fazer cara feia.

Até os jornalistas brasileiros, que até então vinham se contendo, perderam as estribeiras e foram às vias de fato: pediram autógrafos, tiraram fotos e pegaram na medalha de ouro do campeão para ver mais de perto.

"Não sou ciumenta não, só escolho as cunhadas", disse Fernanda Cielo, que aprendeu a nadar com o irmão.

"Agora vou ter que escolher muito mais, porque todo mundo vai ficar em cima dele", brincou ela, sobre a fama conquistada pelo nadador depois que ele precisou de 21s30 para cruzar os 50 metros da piscina, marcando novo recorde olímpico.

Entre os tietes de Cielo, de 21 anos, estava Gustavo Borges, maior medalhista da natação brasileira em Olimpíadas e que correu para tirar uma foto com o nadador.

"Com certeza eu sou fã dele. Nos dois anos que treinamos juntos (2003 e 2004), no segundo ano foi difícil ganhar dele no treino. E em 2005 em diante, com maturação, ele começou a criar bagagem e resultou nesse ouro de hoje," disse Borges, que juntou-se à equipe de natação do Brasil em Pequim que invadiu o entorno da piscina para festejar com o campeão olímpico logo após a prova.

<p>O brasileiro Cesar Cielo comemora ap&oacute;s vencer a prova dos 50m nado livre, dia 16 de agosto. Se depender da tietagem vista dentro e fora do Cubo D'&Aacute;gua de Pequim neste s&aacute;bado, a irm&atilde; de C&eacute;sar Cielo, Fernanda, n&atilde;o vai ter mais sossego em seu papel de sele&ccedil;&atilde;o de namoradas para o nadador, primeiro a conquistar uma medalha de ouro ol&iacute;mpica na modalidade para o Brasil. Photo by Jason Reed</p>

Segundo ele, "a próxima Olimpíada é que vai ser a boa" para Cielo, que também foi bronze nos 100 metros livre em Pequim.

RICO MAS FOCADO

O técnico de Cielo, o australiano Brett Hawke, afirmou que, de agora em diante, o atleta não vai ter com o que se preocupar, além de seu desempenho nas piscinas.

"Vai ser muito rico agora. Vai ter muita gente convidando ele para treinar", disse Hawke, acrescentando que o brasileiro, apesar da badalação, vai se concentrar em seus treinamentos. "Ele não é uma pessoa que se rende a dinheiro ou medalha. Ele quer a superação sempre", disse o australiano.

O pai de Cielo, César Augusto, era só sorrisos, abraçando vários membros da comissão técnica brasileira e respondendo ligações como a do ex-nadador Fernando Scherer, bronze nos 50 metros livre em Atlanta-1996.

"Qual pai não sonha em ver o filho estrela do futebol, um grande esportista ou ator de cinema? É lógico que a gente sonha", disse César Augusto, afirmando que o nadador está recebendo convites para nadar na Itália, Austrália, mas que ainda não se decidiu. "Por hora ele volta para o Brasil e fica até dezembro."

Cielo, nadador do Clube Pinheiros de São Paulo nos torneios nacionais, treina atualmente na Universidade Auburn, no Estado norte-americano de Alabama, mas já está recebendo convite para treinar em Miami também, acrescentou o pai do brasileiro, se dizendo aliviado após a prova disputada neste sábado.

"O medo da gente era ele falar que ia fazer (ganhar a prova) e não conseguisse. Isso seria um pesadelo para ele e para nós. Mas agora, ele tirou umas 20 pedras da Muralha da China das minhas costas."

Mas enquanto esperava por uma carona de um carro de uma emissora de TV que o levaria para a quarta entrevista coletiva do dia, Cielo parecia ainda não se dar conta do que tinha feito. "Eu quero passar no McDonald's agora", disse ele, ainda rodeado de jornalistas e fãs que o acompanharam por vários metros até o carro.

Edição de Pedro Fonseca

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