Esgrimista vê chance de medalha em Pequim graças à Itália

sexta-feira, 18 de abril de 2008 15:45 BRT
 

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Único esgrimista brasileiro a conseguir vaga nos Jogos de Pequim pelo ranking mundial, Renzo Agresta tem como arma a preparação de quase três anos na Itália, bancada com seu próprio dinheiro.

Renzo, de 22 anos, se mudou para Roma sozinho e disputará em agosto a segunda Olimpíada da carreira. Em Atenas-2004, ele perdeu na segunda rodada para o campeão mundial da época e considera que foi um "bom desempenho" para quem era, aos 19 anos, o mais jovem de sua categoria.

"Evoluí muito nestes últimos quatro anos. Nessa última temporada tive resultados interessantes: consegui ganhar do atual campeão europeu, do medalhista de bronze em Atenas, então acredito que posso surpreender e conseguir uma medalha (em Pequim)", disse o esgrimista em entrevista à Reuters.

Grande parte da evolução, segundo ele, deve-se à mudança para a Itália. "O nível de treino lá é maior. O esporte na Europa é muito desenvolvido. Tive que mudar para ter resultados melhores. Se não fosse minha ida para lá, não teria conseguido me classificar pelo ranking mundial, não teria conseguido medalha no Pan, não seria vencedor do campeonato italiano (sub-23, em 2007)."

Renzo conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, na categoria sabre, e este ano, com o 43o lugar no ranking, levou uma das duas vagas do continente americano em Pequim, tornando-se o primeiro atleta da esgrima brasileira a se classificar pelo ranking.

A vida em Roma, porém, tem pontos negativos. O atleta diz sentir falta da família e tem que bancar a maior parte do dinheiro para se manter lá --ele ganha o bolsa-atleta e uma ajuda da Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas diz não ser suficiente. Ele não sabe quanto já investiu na sonhada medalha.

Após transferir a faculdade de administração, Renzo estudou dois anos numa faculdade norte-americana na capital italiana e se formou no ano passado. Agora, ele se dedica somente aos treinos, por cerca de seis horas diárias.

"Fui sozinho, não foi muito fácil. Tive que me adaptar, aprender o idioma, aprender a me virar sozinho, então foi uma experiência bastante interessante", disse ele. "Está valendo a pena, vou para minha segunda Olimpíada."   Continuação...