18 de Agosto de 2008 / às 03:15 / 9 anos atrás

COLUNA-Futuro da ginástica brasileira em xeque: quem vai mandar?

Por Denise Mirás

SÃO PAULO (Reuters) - Diversão costumeira -- e máxima -- das ginastas, navegar na internet abre postos de observação para inúmeros vídeos de apresentações, amadoras e profissionais, com fóruns, análises e comentários de movimentos, séries e coreografias das principais atletas do esporte no mundo.

A ginástica artística brasileira é tratada com assombro por sua rápida evolução nestes anos, e Jade Barbosa é vista com respeito pela força física e garra. Mas, como será depois desta Olimpíada de Pequim?

Um grande ponto de interrogação se sobrepõe ao trabalho de horas e horas diárias, de alimentação regulada, mãos e pés arrebentados... As meninas, principalmente, têm de amadurecer emocionalmente na marra, para acompanhar o amadurecimento físico e técnico.

Norte-americanas e chinesas ainda estão muito acima, na cena mundial. Mas é como lembra a técnica Valéria Lakerbai, bielo-russa da Academia Yashi, em São Paulo: na China, por exemplo, são tantas as meninas à disposição, que os treinadores podem forçá-las ao máximo. Cruamente: só mesmo as mais bem dotadas -- genetica, física e mentalmente -- sobrevivem. São essas que chegam a medalhas.

A Confederação Brasileira de Ginástica terá eleições pelo comando do próximo ciclo olímpico. O CT em Curitiba passa a ser apenas de uma equipe -- da Caixa Econômica Federal. Atletas da equipe permanente terão de se virar, dispersos por clubes em Estados diferentes, com técnicos diferentes? Ainda não apareceram candidatos à presidência da CBG, no lugar de Vicélia Florenzano, no cargo desde 1991. Nem de situação, nem de oposição -- que poderia estar sendo gerada em Londrina, pelo grupo da técnica Bárbara Laffranchi, da Ginástica Rítmica, que se dissociou da atual diretoria.

César Barbosa, pai de Jade, está preocupado. Com a dissolução da equipe permanente, ginastas e familiares ficam felizes com a volta para casa. Mas... César até cogitou da filha ir morar fora, se fosse o caso, para ter condições efetivas de evoluir.

O Ministério do Esporte parece preocupado com a possibilidade de perder uma de suas vitrines mais vistosas. Tanto que Djan Madruga, o secretário de Alto Rendimento, quebra a cabeça por uma maneira de segurar no país o técnico Oleg Ostapenko.

Foi na festa anual do Comitê Olímpico Brasileiro de 2005 que o ucraniano, com toda aquela cara de bravo, chorou em um cantinho do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, ao lado da mulher Nádia. Em seu país, nunca recebeu esse reconhecimento público, disse, para explicar a emoção.

Ostapenko treinou, por exemplo, Lilia Podkopayeva, ouro de ginasta mais completa na Olimpíada de Atlanta-1996, que cumprimentava sua técnica mais próxima com "beijo de esquimó" e que tinha como motivação comprar uma casa para a mãe.

Ela, foi Oleg quem preparou. Assim como Tatiana Lysenko, campeã olímpica em Barcelona-1992. E Daiane dos Santos -- que quicava como uma bola no tablado, de tanta força nas pernas, e precisava aprender a brecar na aterrissagem de suas piruetas.

Com Oleg, que chegou em 2001, mais Daiane, a ginástica brasileira começou a aparecer para o mundo. A gaúcha foi campeã no solo no Mundial de Anaheim em 2003. E vieram Laís Souza, Jade Barbosa, agora Ana Cláudia da Silva, Ethiene Franco, Khiuani Dias...

Oleg está indeciso quanto a permanecer no Brasil, por saudades dos filhos na Ucrânia, por falta de definição financeira -- a mulher, Nádia, que já virou "noveleira", é a favor do "fico" por se sentir adaptada a Curitiba.

Irina Ilyashenko, que trabalha com ele, fica. É a técnica que diz às meninas para tomar água quente -- assim, tomam menos. E também retêm menos água, o que para a escola soviética de ginástica é bom -- não só para manter magras "até as células", como também para correr menos risco de suar muito e escorregar.

Para a Olimpíada de Pequim, como sempre, Oleg foi realista na projeção: disse que, se viesse uma medalha, seria de Jade.

As brasileiras poderiam ter mostrado mais na competição por equipes, onde chegaram a uma final pela primeira vez na história (oitavo, entre as oito). Depois, na disputa do geral individual, Jade Barbosa teve de arriscar para tentar medalha e errou. Ainda assim, terminou entre as dez ginastas mais completas da Olimpíada. Ela e Daiane também não conseguiram medalha por aparelhos.

A questão principal agora é: alguma idéia brilhante de como manter a evolução da ginástica brasileira?

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