Quenianos esquecem diferenças étnicas e comemoram 7 medalhas

terça-feira, 19 de agosto de 2008 10:18 BRT
 

Por Phumza Macanda

PEQUIM (Reuters) - Os quenianos esqueceram suas tensões étnicas e comemoraram as sete medalhas que seus atletas ganharam até agora na Olimpíada de Pequim.

O Quênia tem um histórico de excelência no atletismo e, na segunda-feira, obteve dois ouros, uma prata e um bronze, despertando euforia no país.

Brimin Kiprop Kipruto ganhou o ouro nos 3 mil metros com obstáculos, enquanto Pamela Jelimo venceu os 800 metros feminino.

"Ninguém pensa nem por um momento nas origens étnicas, raça, filiação política ou crenças religiosas dos atletas que fazem seu melhor para dar glória ao Quênia nas Olimpíadas de Pequim", escreveu Macharia Gaitho na página de opinião do jornal Daily Nation.

Membros de diferentes grupos étnicos colocaram suas diferenças de lado para beber e festejar juntos.

"As pessoas estão lá, principalmente nas áreas onde os atletas vivem. Houve muita comemoração", disse Robert Ouko, que ganhou ouro na prova do revezamento 4x400m na Olimpíada de Munique, em 1972.

"O esporte é uma força unificadora muito poderosa e nos faz esquecer de que os outros pertencem a uma tribo diferente. Onde estávamos assustados e desconfiados, tornamo-nos unidos pelo menos por um momento", disse.

A estabilidade no país africano foi abalada depois das eleições em dezembro, marcadas pela violência étnica.

As fotos dos jovens com facas que, por duas semanas, paralisaram partes do Quênia prejudicaram a imagem do país como âncora estável e próspera na turbulenta região.