20 de Agosto de 2008 / às 03:44 / em 9 anos

Com choro aberto, chineses derrubam imagem de frieza

Por Paul Majendie

<p>Seguran&ccedil;as do Est&aacute;dio Ol&iacute;mpico choram devido &agrave; desist&ecirc;ncia do &iacute;dolo chin&ecirc;s Liu Xiang da prova dos 110 metros com barreiras, onde era um dos favoritos ao ouro. Photo by Gary Hershorn</p>

PEQUIM (Reuters) - O técnico do barreirista Liu Xiang chorou incontrolavelmente depois que o herói nacional abandonou os 110m com barreiras. Os espectadores choraram junto.

Quatro remadoras caíram no pranto em seu barco depois de ganhar para a China a primeira medalha de ouro do remo. Dominadas por pura emoção, elas não sabiam se riam, ou se choravam. Na dúvida, fizeram os dois desbravadamente.

A atiradora chinesa Du Li, com o peso de uma nação sobre seus ombros, se desfez em lágrimas ao falhar na conquista da esperada primeira medalha de ouro da China nos Jogos, com 1,3 bilhão de pessoas contando com ela.

Na Olimpíada, os chineses estão, certamente, gastando os lenços de tanto secar as lágrimas.

“Há uma imagem no Ocidente de que os esportistas chineses são como máquinas, sem emoções. Isso mudou totalmente”, disse Kaiser Kuo, colunista em uma revista de Pequim que assistiu à transformação da psique chinesa bem diante dos olhos do mundo.

“No Ocidente existe a concepção errada de que os chineses são capazes apenas de demonstrar um nacionalismo estridente. A mudança tem dado uma face humana aos atletas”, disse este observador de longa data da rápida mudança da sociedade.

A cada quatro anos os Jogos Olímpicos abrem uma janela fascinante frente a alma de uma nação.

Em 1984, Los Angeles era toda Hollywood e exuberante nacionalismo.

Em 2000, Sydney personificou perfeitamente a extrovertida paixão daquele povo pelos esportes.

Em 2004, gregos orgulhosos deleitaram-se com sua civilização ancestral.

Alguns cínicos devem imaginar como os britânicos, famosos por seu comportamento reservado, deverão reagir quando os Jogos chegarem a Londres em 2012. Não é uma nação dada a emoções.

Os Jogos de Pequim certamente ajudaram a desmistificar as idéias do Ocidente com relação à China ao passo que o país ocupa seu lugar no mundo com uma economia poderosa e confiante.

“O estereótipo do chinês sem emoção não é totalmente preciso. Não acredito que técnicos façam aquilo com muita frequência em entrevistas coletivas no Ocidente”, disse Susan Brownell, pesquisadora do Centro de Estudos Olímpicos da Universidade do Esporte de Pequim.

Brownell, que visitou a China pela primeira vez em 1980, é autora de “Jogos de Pequim: O que a Olimpíada significa para a China”, está fascinada por toda essa emoção pura e o que isso tem feito para mudar a visão que o mundo tem da China.

A célebre antropóloga, que discutia o assunto em um programa na TV chinesa, disse: “Não é incomum ver os chineses expressarem suas emoções tão abertamente. Quando Pequim ganhou a candidatura para sediar os Jogos, as pessoas choravam incontrolavelmente.”

Visitando os locais das disputas, ela ficou intrigada ao ver torcedores americanos e australianos liderando a festa por seus atletas e chamando os chineses para se juntar a eles.

“Não existe aquele nacionalismo feio que as pessoas esperavam na China”, disse ela.

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