20 de Março de 2008 / às 11:40 / em 9 anos

ANÁLISE-Crise no Tibet pode prejudicar anunciantes dos Jogos

Por Michele Gershberg e Paul Thomasch

NOVA YORK (Reuters) - Empresas que já se comprometeram a gastar milhões de dólares em propaganda nas Olimpíadas de Pequim vão encontrar dificuldade em voltar atrás se a situação no Tibet estiver prejudicando sua imagem.

Os anunciantes e suas agências de publicidade dizem que, a esta altura, estão acompanhando os acontecimentos de perto, mas até agora os ganhos potenciais de participar do que alguns chamam de "baile de debutantes" da China no mundo das potências ainda superam as desvantagens causadas pelos protestos no Tibet.

"Quase toda corporação está dizendo: "Estamos conscientes disso, mas não é nosso lugar determinar políticas", afirmou o executivo de uma agência. "Isso ainda não impediu nenhum anunciante de estar lá."

Os agentes publicitários encarregados de comprar espaço na mídia para esses anunciantes dizem não ter visto cláusulas fáceis de desistência nos contratos de espaço comercial na rede NBC e canais afiliados, que têm os direitos exclusivos de transmissão dos Jogos nos Estados Unidos.

Se concluíssem que disputas políticas poderiam prejudicar suas marcas, eles iriam provavelmente remover seus anúncios, mas ainda teriam de arcar com o custo.

"Uma porção de serviços é contratada com antecedência de modo que os anunciantes estejam comprometidos", disse um agente que não quis se identificar por causa dos interesses de seu cliente. "Não é que eles possam tomar a decisão de cair fora. Teria de haver discussões."

No passado, as emissoras removiam anúncios quando notícias ruins afetavam um setor específico. Um exemplo é retirar do ar um comercial de empresas aéreas durante a transmissão de um acidente de avião.

Mas será difícil para qualquer negociante usar o mesmo argumento no caso de um impasse entre ativistas tibetanos e a China, disse o agente publicitário.

Um outro executivo de agência disse que não ouviu falar de garantias para um anunciante voltar atrás no caso de agitação política, tendo a NBC já vendido quase 80 por cento do espaço comercial.

Ao mesmo tempo, uma emissora como a NBC precisa ser flexível em casos individuais, disseram agentes. Mas com quase 1 bilhão de dólares em receita antecipada de anúncios dos Jogos em questão, os agentes não esperam que um êxodo em massa fosse aprovado.

"Normalmente não há nada que diga que se houver outra Praça Tiananmen, nós podemos sair", disse Gary Carr, diretor do setor de transmissão nacional da empresa privada TargetCast. "Sei que tentamos muito em 2004, quando estávamos preocupados com questões de segurança (em Atenas)", disse.

Nenhum dirigente da NBC estava disponível para comentar o assunto. A empresa tem como principal proprietária a General Electric Co, também patrocinadora da Olimpíada.

Executivos do setor de publicidade dizem que qualquer decisão só será tomada mais perto do início dos Jogos, em agosto, e dependeria do quanto o conflito tiver se aprofundado.

Reportagem adicional de Kiyoshi Takenaka, em Tóquio, e Jon Herskovitz, em Seul

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