Química fora de quadra é a chave no vôlei de praia

terça-feira, 19 de agosto de 2008 08:23 BRT
 

Por Jane Barrett

PEQUIM (Reuters) - As campeãs mundiais Misty May-Treanor e Kerri Walsh sem dúvida têm um talento especial para o vôlei de praia, mas é a história de oito anos juntas e a amizade íntima que elas consideram como ingredientes mágicos para o sucesso da parceria.

É comum no vôlei de praia muitas trocas de parceiras, normalmente em busca de uma combinação ideal entre uma jogadora alta e forte no bloqueio para ficar na rede e outra mais atlética e veloz para ser responsável pela defesa no fundo de quadra.

Mas apenas isso não é necessário. Se a química fora de quadra não acontecer entre as jogadoras, os resultados também tendem a não aparecer.

As brasileiras Ana Paula e Larissa não tinham um relacionamento próximo antes de serem colocadas para jogar juntas nos Jogos de Pequim pela Confederação Brasileira de Vôlei, depois que Juliana, parceira de Larissa, sofreu uma lesão às véspera da competição.

A dupla melhorou seu jogo no decorrer da Olimpíada, mas não foi o suficiente para ir além das quartas-de-final.

"Nós falávamos sem parar, até 2, 3, 4 horas da manhã sobre a vida, vôlei, namorados, filhos, amigos e família para tentarmos nos conhecer", disse Ana Paula.

"Sabíamos que o relacionamento fora da quadra poderia nos ajudar na competição. Agora eu entendo que quando ela grita, ela não faz isso para você se sentir mal, mas porque quer o melhor para você."

May-Treanor e Walsh, que devem se separar depois dos Jogos para formar família, disseram que levou tempo até que elas tivessem um 'sexto sentido' sobre onde a outra estaria em quadra e como elas deveriam se movimentar.

"Encontrar a química certa é difícil. Nós não tínhamos esse nível no primeiro ano. Você tem que trabalhar nos altos e baixos. Como num casamento, quando as coisas não vão bem, você não se separa, você trabalha para melhorar", disse May-Treanor.

Mesmo com a importância do entrosamento, algumas duplas não têm escolha. Os times chineses que chegaram às semifinais em Pequim, por exemplo, disseram que não sabem se continuarão juntas e que o futuro depende da decisão de seus treinadores.