Deslumbramento pode ameaçar estreante em Pequim, dizem veteranos

quinta-feira, 26 de junho de 2008 14:52 BRT
 

Por Maurício Savarese e Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Nos Jogos Olímpicos, o maior adversário pode estar fora dos ginásios, pistas, piscinas ou tatames. Para atletas experientes, a convivência com as estrelas do esporte, o apelo da mídia e a ansiedade são grandes obstáculos para um estreante chegar a uma medalha.

"Olimpíada é, antes de tudo, fator psicológico... O maior baque é chegar na Vila Olímpica e ver aquele pessoal todo do seu lado. É astro de tudo que é esporte", disse à Reuters o atleta André Domingos, que ainda tenta vaga nos Jogos de Pequim, sua quinta Olimpíada.

"É o recordista dos 100 metros rasos, é o melhor maratonista, é campeão olímpico de tudo quanto é lado. Se não tiver cabeça, um atleta, mesmo no melhor da sua forma, começa a perder a medalha ali mesmo", completou o velocista, medalha de prata nos Jogos de Sydney-2000 e de bronze em Atlanta-1996 no revezamento 4x100 metros.

A jogadora de vôlei Fofão, prestes a disputar também pela quinta vez uma Olimpíada, disse que ficou deslumbrada em Barcelona-1992.

"Foi mais do que um sonho. Todos os dias eu abria a janela para ver se realmente era verdade que eu estava lá", disse a levantadora. "A Olimpíada é uma grande competição com muitas atrações que podem tirar o foco. O meu conselho é estar bem concentrada no seu objetivo."

Sabendo da ansiedade que um estreante sente em uma Olimpíada, o técnico de atletismo Adauto Domingues cogita aproveitar a classificação do maratonista Marílson Gomes dos Santos para uma disputa na qual tem bem menos chances, os 10 mil metros.

"Se ele estiver sem dor nenhuma eu vou colocá-lo para correr os 10 mil metros para ir tirando a tensão de ver o estádio, de ver o público. Quando um atleta pode ir sentindo isso antes da sua competição preferida, se sente mais à vontade para iniciar uma prova com menos tensão, o que pode acabar melhorando o resultado final", afirmou.

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