Prisões abalam famílias de Pequim durante os Jogos

quarta-feira, 20 de agosto de 2008 02:16 BRT
 

Por Ralph Jennings

PEQUIM (Reuters) - Dong Jiqin está assistindo a um canal provinciano de TV, ao invés de ver a Olimpíada de Pequim neste verão porque a prisão de sua mulher, dissidente, tirou o brilho da celebração.

"Não posso assistir aos Jogos", disse Dong em seu pequeno quarto-e-sala sem acabamento no coração da capital chinesa. "Tenho medo de que minha mulher não esteja em segurança. "Nós achamos que os Jogos deveriam acontecer, mas eu não estou no espírito para assistir."

O governo tem defendido o aumento da segurança, com mais de 100 mil policiais e tropas em Pequim, afastando ameaças de atos terroristas dos Jogos, que terminam no domingo.

A entidade, baseada em Nova York, Direitos Humanos na China disse que 24 manifestantes, críticos do Partido Cumunista e suas famílias foram detidos ou vigiados de perto antes da abertura dos Jogos para silenciar críticas quando milhares de repórteres estrangeiros chegavam à cidade.

A mulher de Dong, Ni Yulan, foi presa em abril, quando as autoridades começaram a perseguir ativistas e outros que eles sentiam que pudessem lançar protestos embaraçosos durante os Jogos diante da audiência global.

Em outro caso, Wu Dianyuan, fr 79 anos, e Wang Xiuying, de 77, foram sentenciadas a um ano de "re-educação através de trabalho", depois de repetidamente terem requesitado permissão para promover protestos em áreas de Pequim reservadas para isso durante o período dos Jogos, informou na quarta-feira a Direitos Humanos na China, citando o filho de Wu.

As duas mulheres, que planejavam protestar contra o despejo forçado de suas casas em 2001, devem cumprir a pena fora dos campos de trabalho, mas não podem circular livremente. Elas nem podem mais solicitar autorizaçãao para protestar, informou a organização.

Das dúzias de solicitações para protestos nas áreas reservadas para isso, nenhuma foi liberada.   Continuação...