Tênis de mesa prepara "antidoping" para as raquetes

quarta-feira, 20 de agosto de 2008 03:41 BRT
 

Por Simon Rabinovitch

PEQUIM (Reuters) - Os mesatenistas de elite têm feito uso há longo tempo de colas para turbinar o poder e precisão de suas rebatidas, mas os responsáveis pelas regras do esporte temem que eles possam estar arriscando a saúde ao inalar gases tóxicos.

Fora do estádio olímpico de tênis de mesa está montada uma barraquinha branca onde os jogadores se aventuram antes dos jogos para preparar suas raquetes, colando borracha nova para revestir a lâmina de madeira.

"Se você respira isso mais forte, começa a ficar tonto. É um pouco como a droga do tênis de mesa", disse Peter Gardos, técnico australiano da modalidade.

Um jogador profissional japonês desmaiou no ano passado enquanto passava cola em sua raquete, entrando em como por seis dias. Apesar de não existir uma prova conclusiva de que o incidente tenha sido causado pela cola, o caso soou o alarme para a Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF).

A entidade proibiu colas contendo componentes orgânicos voláteis, ordenando a troca por produtos que usem a água como solvente. Os Jogos de Pequim serão os últimos em que os atletas estarão expostos às substâncias químicas potencialmente perigosas.

"Se você usa a cola uma vez por semana, ou talvez até uma vez por dia, isso não seria problema. Mas estão colando as raquetes até 10 vezes por dia, aí isso pode ser um problema", disse Claude Bergeret, vice-presidente da ITTF.

Por trás da enigmática mudança, aparentemente tendo como única preocupação a saúde dos jogadores, um debate tem se intensificado no mundo do tênis de mesa.

O gás produzido pelas colas de secagem rápida penetra na borracha que recobre as raquetes e ajuda a catapultar rebatidas pelos jogadores. Críticos rebatem dizendo que a proibição da cola é uma tentativa velada de deixar mais lento o esporte, que é muito veloz.

A ITTF tinha decidido banir a cola em 2004, mas desistiu da implementação da regra depois que jogadores e fabricantes de equipamentos clamaram por tempo para se adaptarem. A partir de setembro, eles vão introduzir um tipo de antidoping para as raquetes, um equipamento que pode detectar se a cola ilegal está presente na borracha de revestimento.