Nadadora amputada é 16a na maratona, mas diz: valeu pelo sonho

quarta-feira, 20 de agosto de 2008 06:30 BRT
 

Por Derek Parr

PEQUIM (Reuters) - Natalie du Toit realizou, na quarta-feira, seu sonho olímpico contra todos os que se recusavam a permitir uma nadadora amputada na maratona aquática.

Du Toit teve de amputar a perna esquerda abaixo do joelho depois de um acidente de moto em 2001, mas sete anos depois, aos 24 anos, colocou-se entre as melhores da prova, chegando à Olimpíada.

Mesmo não tendo ido tão bem quanto esperava, no geral, ela sabia que tinha conseguido fazer o que queria, ganhando sua vaga para Pequim por mérito.

"Para mim, nadar, vir a uma Olimpíada, é um sonho tornado realidade", disse Du Toit, que por pouco não conseguiu ir à Olimpíada de Sydney-2000, aos jornalistas no Parque Shunyi.

"Quero participar das competições normais. Você tem de trabalhar duro para isso. Mas não quero nada de graça. Para mim era importante me classificar por mérito."

"Estou um pouco desapontada. Não fiz uma boa prova. Chegar em 16o. não é tão mal, mas eu queria chegar entre as cinco."

Nadar foi como uma libertação, para Du Toit, depois do acidente. "Comecei a nadar aos 6 anos. É algo que adoro. Agora tiro minha perna e me sinto completamente livre na água."

"Você não tem de ser campeão, não tem de ser o melhor, se você alcançar seu sonho. É a realização que importa."

A russa Larisa Ilchenko foi a campeã, na frente das britânicas Keri-Anne Payne e Cassie Patten. Du Toit, 16a., chegou mais de um minuto atrás.

"Seria interessante darem a ela uma medalha de ouro pelo esforço. É preciso muita força de vontade para competir nesta prova", disse a russa Ilchenko. "Quero cumprimentá-la por ser tão forte e tão brava."