"Maldições" acabam escondidas pelo brilho das medalhas olímpicas

sexta-feira, 22 de agosto de 2008 01:57 BRT
 

Por Denise Mirás

SÃO PAULO (Reuters) - O mistério do desaparecimento da vara para salto de 4,55 metros de Fabiana Murer é uma das maldições que volta e meia se apresentam em Olimpíadas. A brasileira de 27 anos ficou desesperada quando notou a falta do equipamento, o que pode ter lhe custado a medalha olímpica depois de anos e anos de trabalho.

Fabiana não é exceção. As "maldições" são até mais comuns do que parece, mas não são registradas como o brilho das medalhas. Acabam perdidas em recortes velhos de jornal ou meio apagadas pela memória.

Mas em Pequim mesmo -- melhor, em Hong Kong, onde estão sendo levados os eventos hípicos -- o cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, não pôde disputar a competição porque sua égua "AD Picolien Zeldenrust" não foi submetida à segunda avaliação. A notícia veio em forma estranha: o problema teria sido causado depois de o animal passar por sessão de acupuntura, o que lhe provocou uma infecção.

Antes da égua de Doda, também o cavalo "Nilo", que participaria do adestramento, foi reprovado na inspeção, e o sonho de Rogério Clementino, que queria ser peão de rodeio e foi parar na elegância do adestramento olímpico, não se concretizou. O cavalo já tinha uma história complicada, mas havia sido aprovado para a Olimpíada.

RAIA E PISTA

Na Olimpíada de Moscou-1980, o nadador Djan Madruga chegou para brilhar, pelos grandes resultados apresentados na temporada, nos Estados Unidos. Djan Madruga tinha tempo para medalha nos 1.500m, mas teria saído correndo da piscina de aquecimento para a prova dos 1.500m depois de ter sido avisado com atraso, e machucado o pé. Passou longe da final -- fez 15min56s, quando seu melhor tempo era 15min22s.

Em Los Angeles-1984, não que o ciclismo brasileiro de estrada tivesse chance de medalha, mas Jair Braga protagonizou um episódio bizarro durante um treino. As bicicletas tinham o guidão curvado para baixo, mas para aquela Olimpíada o desenho tinha sido modificado e eles estavam retos. O ciclista brasileiro foi treinar na estrada e, em meio à velocidade, levantou o corpo, largou o guidão, olhou para o lado e, distraído, abaixou-se de novo para agarrar o guidão curvado... não achou nada, levou um tombo de ralar da orelha às pernas -- e lá se foi a Olimpíada.

AZAR DE UNS...   Continuação...