Scheidt "ressurge das cinzas" para inédito 4o pódio seguido

quinta-feira, 21 de agosto de 2008 07:28 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - Após 7 das 10 regatas da fase de classificação, os velejadores Robert Scheidt e Bruno Prada apareciam apenas na 8a posição da classe Star dos Jogos de Pequim. Como a ave Fênix da mitologia, os brasileiros renasceram para garantir o quarto pódio olímpico consecutivo de Scheidt, um feito inédito no país.

A medalha de prata em sua primeira Olimpíada na Star sucede o bicampeonato olímpico e uma outra de prata na classe Laser. Desde a estréia dourada em Atlanta-1996, Scheidt esteve entre os melhores em todas as suas participações em Jogos Olímpicos.

Mas a parceria com o proeiro Prada esteve próxima de afundar. Numa raia de ventos inconstantes em Qingdao, a dupla brasileira começou a Olimpíada com um 10o, um 13o e um 11o nas três primeiras provas.

A recuperação só aconteceu nos dois dias finais da competição, quando conseguiram repetir a 3a colocação nas quatro últimas regatas -- incluindo a regata da medalha desta quinta-feira -- e alcançaram a prata.

"Ressurgimos das cinzas!", vibrou Scheidt, de 35 anos, após a última regata da Olimpíada, apesar de ainda não saber se teria ficado com a medalha de prata ou de bronze. A dupla brasileira acabou empatada com os suecos Fredrik Loof e Anders Ekstrom, mas a regata da medalha, na qual os suecos ficaram em 10o, foi o desempate.

"Para quem já estava feliz com o bronze...", acrescentou o velejador, que decidiu trocar a Laser pela Star depois dos Jogos de Atenas, em 2004, quando conquistou o bicampeonato olímpico. Scheidt foi prata nos Jogos de Sydney-2000.

Com a medalha na China, Scheidt encosta no também velejador Torben Gral, o maior medalhista olímpico do Brasil. Torben, que atualmente dedica-se à vela oceânica, tem cinco medalhas -- duas de ouro, uma de prata e duas de bronze -- em seis Olimpíadas.

Mas foi o estreante nos Jogos Bruno Prada, amigo de longa data de Scheidt, quem teve participação fundamental para a recuperação da dupla, segundo o próprio comandante. "Muito desta vitória é dele, que teve tanto empenho. Mais de cinquenta porcento, eu diria", afirmou Scheidt sobre o parceiro, segundo nota do Comitê Olímpico Brasileiro.

O proeiro festejou o vento forte dos últimos dias. "No começo, tivemos falta de sorte, mas ela chegou na hora certa. Os ventos estavam fracos, irregulares, isso atrapalhou muito a gente. Mas a virada foi ontem. Velejar com vento assim é que é gostoso. Competir com vento irregular é como jogar futebol num campo esburacado: nivela por baixo", afirmou.

(Texto de Pedro Fonseca; Edição de Tatiana Ramil)

 
<p>Bruno Prada e Robert Scheidt comemoram a medalha de prata na classe Star. Photo by Pascal Lauener</p>