Campeã jamaicana clama por paz em seu país

quinta-feira, 21 de agosto de 2008 22:52 BRT
 

KINGSTON (Reuters) - A campeã dos 400 metros com barreiras, Malaine Walker, cresceu em um dos mais violentos lugares da Jamaica, onde frequentemente enfrentava os obstáculos da violência e tiroteios em seu caminho para a escola.

Ao ganhar a medalha de ouro em Pequim, Walker colocou a recém-adquirida fama a serviço de um apelo por paz em sua vizinhança e em toda a ilha caribenha.

"Gostaria que o povo da minha região abandonasse as armas e parasse com os crimes", disse Walker em uma entrevista na TV.

"Gostaria de pedir às pessoas da Jamaica, particularmente àquelas da avenida Maxfield, para acabar com o crime. Sou daquela área e houve uma época em que era bom viver lá."

"Sei que se a gente conseguir controlar o crime, podemos voltar a àquele tempo", disse Walker.

O apelo pungente de Walker em Pequim destaca a crescente reputação de seu país como produtor de bons velocistas e a mancha da criminalidade que seus compatriotas costumam apontar como sua preocupação número um.

A magnífica e montanhosa ilha caribenha há muito tempo desperta uma fascinação mística -- terra natal do reggae e de seu ícone Bob Marley, com uma farta produção de maconha, praias de nudismo e o mundialmente famoso café Blue Mountain.

Mas essa imagem, e sua indústria turística, têm sido profundamente afetada por atividades criminosas entrincheiradas nos guetos da capital e por uma das mais altas taxas de homicídios do mundo, alimentada por grupos de traficantes.

Com 2,7 milhões de habitantes, a Jamaica teve mais de 1.500 homicídios no ano passado. Neste ano a polícia já registrou 986 assassinatos, menos que os 1.002 no mesmo período do ano passado.

"Precisamos parar com a violência e nos unir", disse a residente de Maxfield Myrtle Williams. "Nunca tinha ouvido falar em Melanie Walker e olhe o que ela já está fazendo por nossa área."

 
<p>Melaine Walker, da Jamaica, comemora a vit&oacute;ria nos 400 metros com barreiras. Photo by Gary Hershorn</p>