UE pede a Blatter que repense acordo por jogadores estrangeiros

terça-feira, 22 de abril de 2008 16:52 BRT
 

Por Darren Ennis

BRUXELAS (Reuters) - A União Européia pediu à Fifa que não tente chegar a um "acordo de cavalheiros" para limitar o número de jogadores estrangeiros nos clubes europeus, o que pode resultar numa série de processos judiciais.

"As leis da União Européia são superiores a qualquer acordo de cavalheiros", disse à Reuters, nesta terça-feira, uma autoridade da Comissão Européia familiar à questão.

"Eu aconselharia a Fifa a pensar cuidadosamente e talvez pensar duas vezes sobre tal decisão."

As declarações da fonte da UE foram uma resposta a reportagens da semana passada em que membros da Fifa diziam que o presidente da entidade, Joseph Blatter, tentaria escapar das leis trabalhistas da UE e alcançar um acordo com as associações nacionais de futebol para limitar a cinco o número de estrangeiros em campo por cada equipe.

"Se disserem que o Chelsea foi impedido de contratar Ronaldinho por causa de um acordo entre a Fifa e a Associação Inglesa, o jogador ou o clube podem exigir seus direitos de acordo com as leis da UE", disse outra fonte.

"Jogadores de futebol são tratados como trabalhadores e sempre serão tratados dessa forma, além disso deve haver acesso a trabalho em todas os países-membros."

A Uefa também já alertou Blatter sobre sua intenção de limitar os jogadores, o que vai em conflito com as leis de livre trabalho da UE, alegando que qualquer medida contrária à UE pode acarretar numa série de ações na Justiça.

A Uefa quer um acordo com a UE sobre a regra de jogadores prata da casa -- que estabelece uma cota de atletas treinados nos próprios clubes mas sem discriminar a nacionalidade -- para evitar uma repetição da Lei Bosman, de 1995, que deu liberdade a atletas de todos os 27 países do bloco para mudarem de clubes.

Para mudar as regras da Fifa e impor o limite de cinco estrangeiros em campo, Blatter precisa de 75 por cento de apoio do Congresso da entidade, que acontece no mês que vem em Sydney. Cada um dos 208 membros têm um voto, enquanto a Uefa como organização não vota.