23 de Agosto de 2008 / às 01:26 / 9 anos atrás

Orgulho olímpico toma conta dos atleta africanos

Por Phumza Macanda

PEQUIM (Reuters) - Terminar em último em uma Olimpíada é um triunfo tão grande quanto ganhar uma medalha para muitos atletas africanos.

“Eu estou muito orgulhoso por ter chegado tão longe”, disse Amantle Montsho, de Botsuana, que terminou em último lugar na prova final feminina dos 400 metros.

“Cheguei na final e isso é o que importa”, disse Montsho, saudada como heroína na volta ao lar, no continente onde milhões vivem na miséria, os investimentos no esporte não são prioritários e a estrutura para treinamentos são, de longe, as mais espartanas do mundo.

“Esta experiência não tem sido em vão. Eu aprendi muito e eu vou levar tudo comigo para Londres (nos Jogos de 2012)”, disse a atleta de 25 anos.

Com exceção dos atletas do Quênia e da Etiópia, que ganharam entre eles 13 medalhas até aqui em Pequim, muitos outros africanos vão deixar Pequim com as mãos abanando, mas orgulhosos, como Montsho, por ter participado da Olimpíada.

Muitos dos atletas africanos não têm os melhores técnicos do mundo, patrocínio e equipamentos de primeira que os rivais dos gigantes do esporte, como China, Estados Unidos e Rússia, têm a seu dispor.

“Com apenas duas piscinas de 50 metros em toda a Uganda, (nossa nadadora Aya Nakitanda) não tem chance de ganhar uma medalha”, disse Justine Ligyalingi, autoridade sênior da delegação ugandense, expondo as limitações que muito africanos enfrentam nos treinamentos.

“A Olimpíada não se resume a medalhas”, disse Ligyalingi, enquanto assistia a nadadores do Malauí, Suazilância, Guiné Equatorial, Ruanda e Uganda enfrentando os melhores do mundo nas preliminares dos 50 metros livre.

“O sentido (dos Jogos) é saber que somos parte do mundo. Este é o espírito olímpico”, disse o ugandense.

A sudanesa Muna Durka, cujo país tem enfrentado décadas de conflito, foi desclassificada na primeira eliminatória dos 3.000 metros com obstáculos feminino, mas isso não apagou seu contentamento por, simplesmente, estar em Pequim.

“Esta é minha primeira Olimpíada e eu estou feliz por ter representado meu país, tem sido uma ótima experiência”, disse Durka.

“Não temos muitos atletas no Sudão, logo, só de estar aqui já é um ótimo negócio”, disse a atleta de 20 anos.

“Provavelmente estarei melhor em Londres (nos Jogos de 2012). A federação de meu país me enviou para treinar no Quênia e eles são os melhores. Eu me qualifiquei para esta Olimpíada com apenas alguns meses de treinamento lá.”

Em um continente onde o esporte é visto às vezes como um reduto masculino, dirigentes do atletismo esperam que atuações como a de Montsho inspire outras mulheres da África.

“(Montsho) foi muito bem. Estamos tentando implantar em casa a cultura das mulheres participarem mais do esporte e ela tem mostrado a todas que nada é impossível”, disse o técnico de atletismo de Botsuana Bobby Gaseling.

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