Orgulho olímpico toma conta dos atleta africanos

sexta-feira, 22 de agosto de 2008 22:23 BRT
 

Por Phumza Macanda

PEQUIM (Reuters) - Terminar em último em uma Olimpíada é um triunfo tão grande quanto ganhar uma medalha para muitos atletas africanos.

"Eu estou muito orgulhoso por ter chegado tão longe", disse Amantle Montsho, de Botsuana, que terminou em último lugar na prova final feminina dos 400 metros.

"Cheguei na final e isso é o que importa", disse Montsho, saudada como heroína na volta ao lar, no continente onde milhões vivem na miséria, os investimentos no esporte não são prioritários e a estrutura para treinamentos são, de longe, as mais espartanas do mundo.

"Esta experiência não tem sido em vão. Eu aprendi muito e eu vou levar tudo comigo para Londres (nos Jogos de 2012)", disse a atleta de 25 anos.

Com exceção dos atletas do Quênia e da Etiópia, que ganharam entre eles 13 medalhas até aqui em Pequim, muitos outros africanos vão deixar Pequim com as mãos abanando, mas orgulhosos, como Montsho, por ter participado da Olimpíada.

Muitos dos atletas africanos não têm os melhores técnicos do mundo, patrocínio e equipamentos de primeira que os rivais dos gigantes do esporte, como China, Estados Unidos e Rússia, têm a seu dispor.

"Com apenas duas piscinas de 50 metros em toda a Uganda, (nossa nadadora Aya Nakitanda) não tem chance de ganhar uma medalha", disse Justine Ligyalingi, autoridade sênior da delegação ugandense, expondo as limitações que muito africanos enfrentam nos treinamentos.

"A Olimpíada não se resume a medalhas", disse Ligyalingi, enquanto assistia a nadadores do Malauí, Suazilância, Guiné Equatorial, Ruanda e Uganda enfrentando os melhores do mundo nas preliminares dos 50 metros livre.   Continuação...