22 de Agosto de 2008 / às 16:26 / 9 anos atrás

Maurren brilha e encerra jejum de 24 anos do atletismo

<p>A atleta brasileira Maurren Maggi durante cerim&ocirc;nia de entrega de medalhas para o salto em dist&acirc;ncia feminino no Est&aacute;dio Nacional de Pequim. Maggi fez sua melhor marca do ano no salto em dist&acirc;ncia, 7,04 metros, e conquistou a segunda medalha de ouro do Brasil em Pequim. Photo by Mike Blake</p>

Por Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - Maurren Higa Maggi encerrou de forma triunfal nesta sexta-feira o jejum de medalhas de ouro do atletismo brasileiro que já durava 24 anos, ao conseguir um grande salto em sua primeira tentativa na final da competição em distância na Olimpíada de Pequim.

De quebra, ela também conquistou o primeiro ouro individual feminino da história das participações olímpicas brasileiras.

A última vez que o atletismo havia conquistado um ouro em Olimpíadas havia sido com Joaquim Cruz, nos 800 metros rasos dos Jogos de Los Angeles, em 1984.

“A prova foi emocionante, eu estava dentro dela o tempo inteiro. Eu estava pronta pra saltar na última tentativa e foi muita sorte ela não ter conseguido superar”, disse Maurren depois da prova, referindo-se à rival Tatyana Lebedeva.

A disputa com a russa, sua principal adversária na noite, foi dramática, apesar de as duas terem feito apenas dois saltos válidos cada uma, já que a primeira queimou quatro tentativas e a brasileira queimou três (não precisou fazer o último salto).

O salto do ouro, de 7,04 metros, foi executado por Maurren na primeira rodada de tentativas.

“Foi um salto seguro, bati na tábua com o pé inteiro. Eu estava buscando um salto perfeito para melhorar minha marca”, afirmou.

“E a partir dali, já joguei pressão pra cima das outras”, acrescentou.

O primeiro salto de Maurren resistiu durante toda a competição, com seis rodadas de saltos não rendendo marca melhor.

Em sua tentativa derradeira, Lebedeva fez um ótimo salto e o Estádio Nacional ficou em silêncio, no aguardo da divulgação da marca pela organização.

Por um centímetro a russa não empatou a disputa. Se isso acontecesse, ela teria a vantagem por até aquele momento ter o segundo melhor salto na comparação com Maurren, o que forçaria a brasileira a buscar uma marca pelo menos acima de 6,97 metros (2o melhor salto da russa) para ficar com o ouro.

Mas não foi necessário. Logo após os placares no estádio mostrarem o salto de 7,03 metros de Lebedeva, Maurren correu para abraçar o técnico Nélio Moura, que já havia visto dias antes um dos seus atletas levar o ouro, o panamenho Irving Saladino. Depois a brasileira deu a volta no estádio levando as bandeiras do Brasil e da China.

Lebedeva reconheceu a superioridade da rival na noite.

“Olimpíada é diferente de um Mundial ou outra competição. Tem que dar tudo certo para se vencer e hoje deu tudo certo pra ela. Era o dia dela”, afirmou.

“Eu estava lutando até o final. Todo mundo quer o ouro olímpico, mas infelizmente só tem um”.

VOLTA TRIUNFAL

Maurren chega ao seu maior feito após ter superado uma longa suspensão aplicada pela federação internacional de atletismo depois do anabolizante Clostebol ter sido encontrado em seu corpo.

A atleta, que diz que a substância fazia parte da fórmula de uma pomada cicatrizante que usou depois de fazer depilação definitiva, chegou a pensar em parar com o atletismo.

“Foi uma fatalidade. Depois de dois ou três anos eu comecei a pensar que ainda havia alguma coisa que eu devia fazer”, afirmou a atleta, que decidiu então retomar gradualmente os treinos com Nélio, com quem trabalha há 16 anos.

“Eu não pensava que ia chegar à medalha olímpica. Fomos fazendo passo a passo, mas no começo fiquei com medo quando meus primeiros saltos eram de 6 metros. Eu queria voltar saltando 6,50, 6,60 metros”.

Aos 32 anos, Maurren diz que nem passa pela sua cabeça a possibilidade de encerrar a carreira e quer tentar disputar sua terceira Olimpíada.

“Eu tenho o sonho de disputar mais uma. Vou batalhar muito para estar em Londres”.

Ao final da entrevista, Maurren falou da filha Sofia, fruto de seu relacionamento com o ex-piloto de Fórmula 1 Antonio Pizzonia. A menina de 3 anos chorou quando ela partiu para a China.

“Eu disse que buscaria mais uma medalha, mas ela falou que eu já tinha bastante e ficou chorando. Me partiu o coração e eu pensei que tinha que fazer tudo isso valer a pena”, contou.

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