Jadel Gregório ignora rivais no salto triplo para Pequim

sexta-feira, 23 de maio de 2008 17:11 BRT
 

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO (Reuters) - O triplista brasileiro Jade Abdul Ghani Gregório, mais conhecido como Jadel Gregório, diz que a fé na religião islâmica e a confiança em seu próprio talento são a base para superar seu grande rival na disputa do salto triplo nos Jogos de Pequim, em agosto. E quem é ele?

"Eu, eu e eu", responde o atleta de 27 anos, paranaense de Jandaia do Sul. "Me concentro apenas em mim. Não me interessa o que fazem os outros, procuro nem saber. Só quero saber de chegar mais perto do meu máximo", disse ele após a disputa no Grande Prêmio São Paulo de atletismo, na quinta-feira.

Hoje radicado na Suécia, Jadel, tido com um dos favoritos em Pequim, fez uma de suas poucas aparições em competições no Brasil e desapontou a torcida paulistana ao terminar a prova em 4o lugar, com um salto de 16,91 metros --marca 58 centímetros inferior à do campeão, Randy Lewis, de Granada.

"Minha primeira meta aqui era vencer. Não consegui, mas meu segundo objetivo era melhorar um pouco a corrida. E isso deu certo", afirmou o atleta. "Não estou decepcionado porque até Pequim tenho de melhorar a corrida antes do salto, porque ainda acho que está muito ruim para o que posso fazer."

O triplista diz que adversários que enfrentou em São Paulo, como o cubano David Girat e granadino Lewis, devem figurar na disputa final em Pequim. Apesar disso, ele diz que não estuda as qualidades e defeitos dos rivais, ainda que tenha ficado atrás deles no meeting da capital paulista e no GP do Rio de Janeiro, no fim de semana anterior.

"Tenho muita fé, graças a Deus, no que sou capaz de fazer. Hoje sou um atleta muito centrado, também por tudo que já tenho de vivência, e até chegar a Pequim eu vou me concentrar nesses detalhes, como a corrida, as passadas até o salto. Acho que no GP de Belém (no próximo fim de semana) eu devo até ter resultado melhor, mas a preocupação central é o preparo", diz.

Depois de terminar a série de meetings brasileiros no Pará, Jadel espera competir no Meeting Prefontaine, nos Estados Unidos, onde treinará por 20 dias. Em seguida, ele compete na Grécia, Suíça, Suécia e, dependendo do desgaste físico, na Grã-Bretanha.

"Daí é ir para a China, já com saltos melhores, detalhes ajustados e já com alguma regularidade", afirmou o campeão pan-americano de 2007, que também no ano passado ficou com a medalha de prata no Campeonato Mundial, com a marca de 17,59 metros.

"Para vencer na China eu vou ter de saltar mais do que isso. Por isso nem adianta olhar para os outros. Eu tenho mesmo é de me vencer", completa Jadel, que ficou fora de Sydney-2000 devido a uma lesão no joelho e em Atenas-2004 terminou em quinto lugar, apesar de ter feito o segundo melhor salto daquela temporada, com 17,72 metros, algumas semanas antes da Olimpíada.

"Faz tanto tempo que nem me lembro da preparação para a Olimpíada passada", desconversa. "Mas sei que nesta tem tudo para ser melhor."