Brasil abusa do "não sei o que houve" após derrotas em Pequim

sábado, 23 de agosto de 2008 06:40 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - Alguns dos atletas e esportes que saíram do Brasil com chances reais de obter medalhas de ouro retornam sem razões para não terem sido bem-sucedidos nos Jogos de Pequim.

Com algumas exceções, como no judô, atletas não conseguem definir um fator-chave que tenha contribuído para o desempenho insatisfatório, apesar de admitirem erros, em alguns casos.

"Gente, não sei o que aconteceu. Eu estava muito bem, estava tudo muito certo, isso é uma coisa que eu nunca esperei que fosse acontecer", disse o ginasta Diego Hypólito sobre o final infeliz no solo, ao cair sentado no movimento de conclusão da série.

"Não adianta as pessoas quererem achar um motivo para o que aconteceu. Isso acontece com qualquer ser humano, eu errei", afirmou ele alguns dias depois da prova em que ficou em sexto, apesar de ter feito uma ótima rodada de classificação, com a maior nota.

Outros, como Jadel Gregório, do salto triplo, dizem que ainda vão tentar encontrar o motivo para a falha, avaliando as imagens da competição.

"Trabalhei o ano inteiro, não sei o que deu errado, não foi o resultado que esperava. Vou ver o vídeo da prova para entender o que aconteceu", afirmou o atleta, que também ficou em sexto lugar em sua prova e não ameaçou em nenhum instante os líderes.

No futebol masculino, que segue sem o título olímpico (o único importante que falta em sua galeria), o técnico Dunga atribuiu o fracasso a coisas do esporte.

"Ganhamos (da Argentina) na Copa América e hoje (na semifinal) perdemos, e a vida do esportista é assim. Tem que ter a frieza de saber reagir", afirmou, enquanto Ronaldinho Gaúcho preferiu dizer que o time "dormiu" em alguns momentos do jogo, que foram aproveitados pela Argentina.   Continuação...

 
<p>Ronaldinho recebe medalha de bronze das m&atilde;os do presidente da Fifa, Joseph Blatter, durante premia&ccedil;&atilde;o do futebol no est&aacute;dio Ninho de P&aacute;ssaro, neste s&aacute;bado. Photo by Marcos Brindicci</p>