Não podemos forçar mudanças na China, diz presidente do COI

domingo, 24 de agosto de 2008 00:53 BRT
 

Por Karolos Grohmann

PEQUIM (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) é dedicado ao esporte e não pode forçar mudanças em nações soberanas, disse o presidente do COI, Jacques Rogge, poucas horas antes da cerimônia de encerramento doa Jogos Olímpicos de Pequim, neste domingo.

Rogge afirmou em entrevista coletiva que o COI está "extremamente grato" à organização dos Jogos e que louva o país sede por fazer dos atletas o centro das atenções.

Rogge defende há tempos a decisão do COI de presentear Pequim como sede dos Jogos de 2008, depois de críticas de grupos ativistas que questionam a política de direitos humanos daquele país. Ele disse que o COI não é uma organização política.

"O COI e os Jogos Olímpicos não podem forçar mudanças em nações soberanas ou resolver todos os males do mundo", disse Rogge em uma sessão do COI em Pequim no dia final dos Jogos.

"Mas nós podemos -- e fazemos -- contribuir para mudanças positivas através do esporte."

O COI esteve sob constante ataque nos meses que antecederam os Jogos, acusado de não fazer nada para pressionar Pequim para melhorar a questão dos direitos humanos e mudar suas políticas com relação à região de Darfur e do Tibete.

Os organizadores dos Jogos prometeram várias mudanças nas políticas existentes, incluindo progressos no respeito aos direitos humanos e na liberdade de imprensa, quando venceram a disputa para sediar a competição, mas deixaram muito por fazer.

"O mundo aprendeu mais sobre a China e a China aprendeu mais sobre o mundo. E, juntos, dividimos toda a emoção e drama dos Jogos", disse Rogge.

"Nós somos primeiro, e acima de tudo, uma organização voltada ao esporte, mas um esporte com um propósito."

"Colocar o esporte a serviço da humanidade e alavancar os valores olímpicos para promover um melhor entendimento entre os povos, nações e religiões estão no coração de nossa missão."