Sumô ganha ginga e adeptos no Brasil, mas vive de voluntários

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 17:12 BRT
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Com um rápido giro do corpo, Ana Bárbara Santi vira o jogo e derruba sua adversária na arena de terra. O ginásio vibra com a manobra da garotinha de 8 anos. É sua primeira vitória no sumô.

Ela é uma das 200 crianças e adolescentes de até 18 anos que participaram de um campeonato de sumô no fim de semana, em um ginásio na capital paulista. Estavam delegações de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e até do distante Pará.

Bárbara, descendente de italianos e longe de ser gorda, vestia colan vinho até o joelho, sem mangas, com a faixa branca amarrada na cintura, chamada mawashi. Após a vitória, o pai deu parabéns à filha, um abraço apertado e um beijo no ombro, onde surgiu um arranhão.

O sumô, esporte popular e tradicional no Japão, é uma das heranças dos primeiros japoneses imigrantes que chegaram ao Brasil há 100 anos.

Por aqui, no entanto, o sumô é hoje praticado em apenas cerca de 15 academias espalhadas pelo país, e os brasileiros são maioria, quase 75 por cento, desbancando os nikkeis, descendentes de japoneses.

Há registros de campeonatos de sumô no interior paulista desde a década de 1910. Para o presidente da Federação Paulista de Sumô, Morito Tsuchiya, o esporte foi facilmente integrado.

"O sumô é fácil de praticar e teve rápida integração entre os não-nikkeis", disse Morito. "Os japoneses foram se integrando na sociedade, entrando em outros esportes, como o futebol."

Sem divulgação e patrocínio, o sumô sobrevive no país às custas de muito trabalho voluntário, rifas, bazares e até macarronadas.   Continuação...

 
<p>Garotos lutam sum&ocirc; em um campeonato em S&atilde;o Paulo no final de semana. Cerca de 300 crian&ccedil;as e adolescentes at&eacute; 18 anos participaram do evento. Photo by Paulo Whitaker</p>