24 de Agosto de 2008 / às 12:49 / 9 anos atrás

Brasil faz menos ouros que 2004 e após 12 anos alcança Atlanta

Por Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - A equipe olímpica do Brasil, com 277 atletas, a maior já formada na história, terminou os Jogos de Pequim com menos medalhas de ouro do que as conquistadas em Atenas e finalmente alcançou o total de medalhas que havia registrado em Atlanta-1996, 15.

Ao final da maior Olimpíada da história, com quase 11 mil atletas, o Brasil conseguiu melhorar sua participação nas finais das competições, para 38 em Pequim, ante 30 em Atenas e 22 finais em Sydney, o que para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é o melhor dado comparativo para avaliar a evolução da participação olímpica brasileira.

"O crescimento esportivo de um país não deve ser medido apenas por medalhas", afirmou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, neste domingo. "A presença de um maior número de atletas e de modalidades em finais olímpicas indicam a evolução qualitativa do esporte brasileiro nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos", acrescentou.

Os investimentos feitos pelo comitê no ciclo olímpico encerrado em Pequim chegaram a 160 milhões de reais, um aumento de 77 por cento em relação ao ciclo anterior, encerrado ao final dos Jogos de Atenas, enquanto o aumento na participação em finais, critério usado pelo COB, foi de 28 por cento.

Mas Nuzman afirmou que a comparação entre o investimento e o resultado não pode ser aplicada, porque nem todo o investimento foi direcionado à área estritamente competitiva da equipe e porque também incluiu gastos do período do Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007.

"Mas posso te dizer que para continuar melhorando nós teremos que ter ainda mais recursos", afirmou ele durante evento do COB para avaliar os resultados dos Jogos para o Brasil.

No final, o Brasil terminou com três medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze, com total de 15.

Em Atenas foram cinco de ouro, duas de prata e três de bronze, num total de dez medalhas.

Nuzman afirmou que o resultado do Brasil deve ser valorizado porque o cenário dos Jogos mudaram, com mais países competindo e conquistando medalhas, reduzindo a participação de potências tradicionais, como Rússia, França e Estados Unidos.

"Se vocês estão questionando o que o Brasil fez aqui imagine o que vão dizer nos Estados Unidos, depois de eles perderem o primeiro lugar para a China".

Sobre o país-sede, grande vencedor dos Jogos, o dirigente brasileiro afirmou que o trabalho feito no país reuniu alguns ingredientes que dificilmente poderiam ser agregados em outros locais.

"Ninguém vai conseguir fazer o que a China fez em 4, 8 ou 12 anos. A China procurou dar para cada modalidade o melhor técnico, a melhor preparação, os recursos que fossem necessários. O sistema político também contribui e o número de atletas praticantes em cada esporte é um diferencial".

Se considerar só os ouros, o Brasil ficou em 22o lugar em Pequim, ante o 16o lugar em Atenas.

Questionado se, apesar da evolução que afirmou ter havido, não ficou decepcionado pelo país não ter levado algumas medalhas que pareciam bem prováveis no início da competição, o dirigente afirmou que não gosta de trabalhar com expectativas e não fez prognósticos para a Olimpíada em termos de medalhas.

"Desde o início eu disse que trabalharia para transformar o Brasil em uma potência olímpica. Acho que nós estamos caminhando para isso".

O COB vai realizar uma análise dos resultados e poderá ajustar sua política de distribuição de recursos com base neles.

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