January 26, 2008 / 11:30 AM / 9 years ago

ENTREVISTA-Parreira diz que África impõe mais desafio que Brasil

4 Min, DE LEITURA

<p>Parreira diz que &Aacute;frica imp&otilde;e mais desafio que Brasil. O t&eacute;cnico da &Aacute;frica do Sul, Carlos Alberto Parreira, afirmou que o desafio de montar a equipe do pa&iacute;s sede da Copa do Mundo de 2010 &eacute; uma experi&ecirc;ncia mais recompensadora do que foi treinar a sele&ccedil;&atilde;o brasileira no Mundial da Alemanha. Foto do Arquivo. Photo by Siphiwe Sibeko</p>

Por Brian Homewood

TAMALE (Reuters) - O técnico da África do Sul, Carlos Alberto Parreira, afirmou que o desafio de montar a equipe do país sede da Copa do Mundo de 2010 é uma experiência mais recompensadora do que foi treinar a seleção brasileira no Mundial da Alemanha.

Em 2006, Parreira dirigiu uma equipe recheada de estrelas como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká que chegou à Alemanha como grande favorita, mas acabou eliminada pela França nas quartas-de-final.

O desafio do treinador com a África do Sul é resgatar a equipe sul-africana após anos de queda livre e formar um time competitivo para 2010.

"O que te dá prazer no final das contas é ver o time jogando bem e se desenvolvendo", disse Parreira, cuja equipe empatou por 1 x 1 com Angola em sua estréia na Copa Africana de Nações, na quarta-feira.

"Esse tipo de trabalho é mais agradável para o técnico, começar do rascunho e construir alguma coisa", acrescentou em entrevista à Reuters.

Como técnico do Brasil, por outro lado, você não tem direito de perder.

"No Brasil, não se sabe o nome de nenhum técnico que tenha conquistado a Copa do Mundo. Mas você sabe os nomes de todos que não venceram", disse Parreira, que antes da derrota em 2006 levou a seleção ao tetracampeonato mundial em 1994.

"Se tivéssemos conquistado a última Copa do Mundo, não teria sido pelo meu trabalho, seria graças a Ronaldo, Ronaldinho, Kaká... Esse trabalho é mais satisfatório porque nós não temos esses problemas."

Parreira, que nas horas vagas gosta de pintar e cozinhar, quase recusou o convite para treinar a África do Sul após detalhes de seu salário terem sido revelados pela mídia.

"Eu quase não assinei por causa daquilo, mas depois eu fiquei por uma semana e eles me convenceram que aquilo fazia parte da mídia. De qualquer forma, eu disse a eles que não vim para cá por causa do salário."

"Após 38 anos trabalhando no futebol, minha vida está estabilizada. Tenho uma boa casa em Angra e um barco. É um lugar lindo, eu posso pescar e passar tempo com meus netos. Nunca me canso de ir para lá."

"Não sou um milionário, mas eu posso viver bem. Vim para a África do Sul porque esse é o país que vai organizar a Copa do Mundo, o maior evento do mundo."

Em vez de relaxar em seu barco, Parreira está agora em um hotel modesto de Tamale, em Gana, onde as cabras pastam nas ruas de terra batida.

Parreira afirma que sua prioridade é dar a seu time um toque do futebol sul-americano, em vez do modelo de lançamentos longos trazido da Inglaterra.

"O futebol na África do Sul é de goleiro para goleiro. O Santos é o único time que tenta manter a bola no chão", disse ele.

"É um trabalho difícil mudar essa filosofia, dizer aos jogadores que em vez de rifar a bola, eles devem passá-la", afirmou. "Mas se você olhar para os outros times daqui, Senegal e Tunísia por exemplo, os zagueiros são enormes, então se você tentar lançar a bola alta, facilita para eles."

"Se jogar no chão, você pode dificultar para eles. O jogo com Angola nos deu esperança de um futuro melhor, mas o tempo é muito curto para a Copa do Mundo."

"Esse trabalho deveria ter sido feito há quatro ou cinco anos."

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