China vai discutir questão tibetana com o Dalai Lama

sexta-feira, 25 de abril de 2008 09:03 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - Autoridades chinesas vão se encontrar com representantes do Dalai Lama, líder espiritual tibetano, disse a agência de notícias Xinhua na sexta-feira, citando fontes oficiais.

A decisão assinala uma mudança nas táticas adotadas por Pequim. Desde março, quando os protestos anti-governo agitaram o Tibet e áreas chinesas de maioria tibetana, as críticas da China ao Dalai Lama só aumentavam.

"Tendo em vista os pedidos de diálogo feitos repetidamente pelo Dalai Lama, o departamento do governo central entrará em contato e consultará o representante pessoal do lado de Dalai nos próximos dias", disse uma das autoridades, segundo a Xinhua.

Um porta-voz do Dalai Lama, que vive no exílio na Índia, disse que ele não recebeu nenhum convite por parte da China. O Ministério das Relações Exteriores chinês também disse que não tem detalhes.

Dalai Lama, que fugiu do Tibet depois de uma revolta frustrada contra o comando chinês, em 1959, é considerado um traidor pela China e acusado de ter orquestrado os protestos de março. Ganhador do prêmio Nobel, Dalai Lama nega.

Mas o Tibet virou exemplo para as manifestações anti-China que tumultuaram o revezamento da tocha olímpica pelo mundo, além de liderar os pedidos de boicote dos líderes mundiais aos Jogos.

"Espera-se que, por meio do contato e da consulta, o lado de Dalai tome atitudes de confiança, que tenham o objetivo de conter os atos destinados a desfalcar a China, fazer conspirações e incitar a violência, além de interromper e sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, criando condições para um diálogo", disse a autoridade consultada pela agência.

A China também está sob pressão internacional para retomar as conversas com os enviados de Dalai Lama e dar estabilidade ao Tibet, uma remota e montanhosa região ocupada pelas tropas comunistas em 1950.

A tocha olímpica deve chegar ao Tibet no começo de maio, para ser levada ao topo do monte Everest. A passagem pela capital, Lhasa, deve acontecer em 19 de junho.

O Dalai Lama diz que procura alcançar autonomia significativa para a região, considerada estratégica, mas a China o chama de impostor e diz que ele tem intenções separatistas.

(Reportagem de Lindsay Beck. Reportagem adicional de Bappa Majumdar, em Nova Délhi)