3 de Novembro de 2007 / às 14:25 / 10 anos atrás

ENTREVISTA-Marta vê seleção como impulso para ser melhor de 2007

<p>Marta domina a bola no peito durante a final da Copa do Mundo de futebol feminino, contra a Alemanha, em setembro, na China. Photo by David Gray</p>

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Dos jogos na rua com os meninos a melhor jogadora de futebol do mundo, a carreira da alagoana Marta vem até aqui colecionando só sucessos. A atacante é a favorita para conquistar pela segunda vez seguida o prêmio da Fifa de melhor do ano, e diz que desta vez seu desempenho pela seleção será fundamental para a eleição.

Marta foi artilheira e eleita a melhor da Copa do Mundo da China, em setembro, quando o Brasil ficou com o inédito vice-campeonato. A entidade que comanda o futebol mundial anuncia em dezembro a vencedora do prêmio de melhor do mundo na temporada.

"A diferença desta temporada para a de 2006 foram as partidas com a camisa do Brasil. No ano passado, quase não vesti a camisa da seleção e me escolheram. Este ano, joguei mais pelo meu país do que pelo clube", disse Marta, 21, em entrevista à Reuters por email.

"Já fiz o que podia fazer, não depende mais de mim. Sinto que venho melhorando meu rendimento a cada ano e espero continuar assim por muito tempo", completou.

Pela seleção, Marta foi campeã dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro num Maracanã lotado, em julho, e dois meses depois encantou o mundo com jogadas de extrema habilidade no Mundial.

Uma delas, em especial, chamou a atenção: ao receber a bola de costas para a adversária, ela deu um toque de calcanhar, dando uma meia-lua, e partiu com a bola para a área dos Estados Unidos. A brasileira deu mais um drible bonito antes de empurrar a bola para as redes.

Na final contra a Alemanha, porém, veio o lance mais triste de sua curta carreira. Ela perdeu um pênalti quando as alemãs ganhavam por 1 x 0 -- o jogo terminou 2 x 0.

"Fiquei bastante chateada, mas isso acontece no futebol. Hoje, já não lembro com frequência (do lance)", afirmou a jogadora.

HABILIDADE DO FUTSAL

Marta cresceu em Dois Riachos, no Estado de Alagoas, e contou que aos 8 anos já jogava futsal com os meninos e disputava torneios. Para a atacante canhota, sua habilidade desenvolveu-se no futsal, onde "o espaço é menor".

"Vivia sempre na rua com os garotos. Minha brincadeira preferida era jogar bola. Onde tinha uma quicando, eu estava lá", explicou.

Marta apareceu para o público em 2003, quando disputou o Pan de Santo Domingo e ajudou o Brasil a ser campeão. Pouco depois, aos 18 anos, foi contratada pelo Umea, da Suécia, onde é tricampeã nacional.

Apesar das dificuldades com a baixa temperatura e com a língua, ela, que mora sozinha, afirma estar bem adaptada.

"Tenho alguns amigos brasileiros, costumamos nos reunir, bater um papo, fazer um churrasco. Não falo muito bem o sueco, mas dá para me virar. A única coisa que não tem como mudar é a saudade do Brasil, da família", disse ela, acrescentando que não tem namorado.

De longe, Marta torce para que o futebol feminino se desenvolva no Brasil, onde não existe um campeonato nacional. Durante a Copa da China, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a criação de uma Copa do Brasil, que começou esta semana.

"Essa Copa do Brasil pode ser o começo de dias melhores. Espero que mais e mais clubes se interessem pela modalidade, que apareçam patrocinadores e que o governo ajude."

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