November 26, 2007 / 10:52 PM / 10 years ago

Tragédia pode ter sido "último ato" da Fonte Nova

4 Min, DE LEITURA

SALVADOR (Reuters) - Após a tragédia anunciada na Fonte Nova, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, e torcedores defenderam a desativação do estádio nesta segunda-feira, quando ao menos sete pessoas continuavam internadas em hospitais da capital.

"Como baiano, fico ainda mais sensibilizado. A Fonte Nova foi um templo importante, mas temo que este tenha sido seu último ato", disse o ministro a jornalistas, após reunir-se a portas fechados com o ex-jogador do Bahia Bobô, atual superintendente da Sudesb --responsável pela administração do estádio.

Cerca de 60.000 torcedores lotavam o estádio e saltavam nas arquibancadas comemorando o acesso do Bahia à Série B quando um degrau do anel superior desabou no domingo, deixando sete mortos e aproximadamente 25 feridos.

Todos os mortos foram enterrados nesta segunda --um deles com a bandeira do Bahia--, enquanto sete pessoas seguiam internadas, incluindo a irmã de uma das vítimas fatais, que seria operada após sofrer várias fraturas, segundo o hospital Santa Isabel.

De acordo com especialistas, as autoridades locais ignoraram alertas sobre as péssimas condições do estádio em Salvador, que é uma das 18 cidades postulantes à cidade-sede da Copa do Mundo de 2014. Salvador apresentou projeto para construção da Arena Bahia, com capacidade para 44.000 pessoas para o Mundial que será sediado pelo Brasil daqui a sete anos.

Em relatório apresentado no início do mês, o Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) informou ter encontrado diversos problemas estruturais no estádio. Segundo o Sinaenco, a Fonte Nova estava em "estado lastimável, nenhum conforto e segurança para os usuários".

"O que a gente achou era um quadro pior do que esperávamos", disse à Reuters José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco, sobre o estudo. "Muitos estádios estão em situação deplorável."

Os torcedores criticaram a situação do estádio, fundado em 1951 e que nunca passou por uma reforma geral, e já admitem não contar com ele em 2008.

"Foi lamentável o que aconteceu na Fonte... Por mim, aquele estádio já deveria ter sido demolido há muito tempo, mas as autoridades só esperam uma tragédia acontecer para tomarem decisões", disse o estudante Daniel Henrique, 25, que faz parte da torcida organizada Bamor.

"Não acho que o estádio vai voltar a funcionar, mas se voltasse, eu com certeza ia pensar várias vezes antes de voltar lá", acrescentou o torcedor por email.

Uma perícia técnica para apurar as razões do acidente começou no domingo e foi encerrada nesta segunda. Um laudo preliminar deve sair em 10 dias, o oficial apenas entre 30 e 90 dias.

Com média de 38.903 pagantes por jogo em casa, o Bahia era o líder de público nas três divisões do futebol nacional neste ano.

Reportagem de Marcelo Sant'Ana, em Salvador, e Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro; Texto de Tatiana Ramil; Edição de Alexandre Caverni

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