29 de Maio de 2008 / às 20:45 / em 9 anos

Vela brasileira se prepara para maior desafio: America's Cup

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Depois de 14 medalhas olímpicas, sendo seis de ouro, uma bem-sucedida volta ao mundo com um barco brasileiro e mais de 60 títulos mundiais, a vela do Brasil avança para seu maior desafio: disputar a America’s Cup, mais tradicional prova de vela do mundo.

O projeto, ainda sem data prevista, exige investimentos de quase 100 milhões de dólares, que seriam levantados com empresas do país interessadas em divulgar a marca no exterior, de acordo com um dos principais responsáveis pela audaciosa campanha.

O empresário e velejador Alan Adler, campeão mundial da classe Star em 1989 e diretor do Brasil 1 -- primeiro barco do país a disputar a regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race -- acredita que ter um veleiro brasileiro na America’s Cup é o próximo passo para o desenvolvimento da vela oceânica do país. A 33a edição da America’s Cup, que é disputada desde 1851, tem início previsto para 2009, na cidade de Valencia. A cidade espanhola também foi sede da última edição da prova, em 2007, que teve como vencedor o suíço Alinghi.

“É um produto interessante para mídia, e o Brasil está numa fase de crescimento, várias empresas se internacionalizando. Hoje um projeto para a America’s Cup estaria na frente de um retorno à Volvo Ocean Race. É um projeto de bastante conteúdo e que eu vejo espaço para a entrada do Brasil”, afirmou Adler à Reuters, por telefone.

Adler, que contou com apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para levar o Brasil 1 ao terceiro lugar da Volvo em 2006, disse que uma indefinição judicial sobre o futuro da America’s Cup prejudicou o andamento do projeto brasileiro.

A equipe do veleiro norte-americano BMW Oracle entrou na Justiça dos Estados Unidos no ano passado com um processo acusando o Alinghi de tirar vantagem ilegal sobre os adversários por não divulgar as especificações dos barcos que serão utilizados na próxima disputa -- um direito de escolha reservado ao detentor do título.

Segundo Adler, não há chance de participar da prova que ocorreria entre 2009 e 2011, mas ele não descarta que aconteça na edição seguinte.

“Por enquanto não temos projeto, até porque não temos informações sobre a forma de disputa, qual será o barco, e outras questões técnicas. Mas a gente tem o ingrediente que é o atleta, os ídolos aqui no Brasil”, acrescentou Adler.

US$100 MILHÕES

Enquanto para o projeto Brasil 1 foram investidos cerca de 15 milhões de dólares no barco e na equipe, que tinha como principal velejador o bicampeão olímpico Torben Grael, para disputar a America’s Cup o custo seria muitas vezes maior.

Para ficar com o título, o Alinghi teve investimento de cerca de 163 milhões de dólares, enquanto o Oracle gastou ainda mais: 200 milhões de dólares, segundo dados da organização da America’s Cup.

O Luna Rossa, que tinha Grael como tático, teve orçamento de 165 milhões de dólares. A equipe, que era patrocinada pela grife Prada, já anunciou que não disputará a próxima edição.

De acordo com Adler, entretanto, um projeto brasileiro não chegaria aos 100 milhões de dólares.

“Essas equipes gastam muito dinheiro à toa. Mas a gente acredita que tem as condições, porque as propriedades são muito boas para o Brasil”, afirmou. “Na Espanha, o horário da transmissão é ótimo para colocar ao vivo na televisão aqui. Imagina ver um barco do Brasil competindo com as nossas cores ao vivo na TV? É como a Fórmula 1, que todo mundo assiste.”

A America’s Cup, a mais antiga competição de vela do mundo, é disputada em formato “match race”, com um barco contra o outro concorrendo em cada regata. Na primeira fase, que era chamada Louis Vuitton Cup -- antes de a empresa de moda encerrar seu contrato de patrocínio -- os desafiantes lutam entre si pelo direito de competir com o atual campeão na fase final.

BRASIL 1 NA ESPANHA

O direcionamento para uma participação na America’s Cup sacramenta o fim do projeto Brasil 1, que foi anunciado como o maior investimento esportivo da história do país, antes da realização do Pan-Americano do Rio de Janeiro no ano passado.

O barco, que era visto pelos iatistas como parte da família brasileira que atravessou o mundo em 8 meses, não está no país desde o final da regata, quando foi repassado à organização da Volvo como parte de um acordo.

Atualmente o veleiro é usado pela equipe espanhola Movistar para treinamento. A próxima regata de volta ao mundo começa em outubro deste ano, com chegada em junho de 2009. Haverá uma parada no Rio de Janeiro em 11 de abril.

“Hoje não pensamos mais nisso”, afirmou Adler. “As condições necessárias para termos um projeto melhor que o Brasil 1 não estavam asseguradas na época que a gente estava precisando. Para fazer um projeto igual não interessava.”

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