October 30, 2007 / 11:02 AM / 10 years ago

Brasil assume conta bilionária para se arrumar até 2014

6 Min, DE LEITURA

<p>Quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciar o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o pa&iacute;s assumir&aacute; uma d&iacute;vida de no m&iacute;nimo 10 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para modernizar seus est&aacute;dios e levantar a infra-estrutura necess&aacute;ria para um Mundial. Foto em Bel&eacute;m, 28 de outubro. Photo by Paulo Santos</p>

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciar ao meio-dia de terça-feira o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o país assumirá uma dívida de no mínimo 10 bilhões de dólares para modernizar seus estádios e levantar a infra-estrutura necessária para um Mundial nos moldes atuais.

Nenhum estádio do país tem hoje em dia condições de receber uma partida de Copa do Mundo, segundo relatório de inspeção da Fifa publicado na semana passada, e aspectos fundamentais como segurança, transporte e acomodação também foram abordados como carentes de investimentos.

"O Brasil hoje está muito despreparado se comparar com outros países neste momento, mas pode ser que daqui a sete anos esteja melhor", disse à Reuters o economista Luiz Gonzaga Belluzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no governo José Sarney (1985-87).

"Em um evento como a Fórmula 1 em São Paulo, fica evidente que a cidade não tem infra-estrutura. As cidades brasileiras vão precisar se adequar."

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima que 1,1 bilhão de dólares serão gastos nos estádios, seja em reformas e adequações ou na construção de novas arenas. Das 18 cidades pré-candidatas a sedes do Mundial, quatro têm projetos de novos estádios -- Recife, Salvador, Maceió e Natal.

As outras cidades, incluindo as praticamente confirmadas Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, já apresentaram projetos de reformas em seus palcos. Entre 10 e 12 cidades serão escolhidas em 2009 como sedes dos jogos do Mundial.

O custo com os estádios -- quase o mesmo das Copas da Alemanha (2006) e África do Sul (2010) --, que a CBF garante será financiado pela iniciativa privada, é questão considerada mais simples entre os desafios futuros do país.

Ainda assim, gastar em estádios o que poderia ser investido em educação e saúde é uma das questões levantadas pelos críticos da realização do Mundial no país. Afinal, vale a pena?

"Vale desde que a gente tenha os pés no chão. A Copa de 1994 nos EUA foi toda em estádios adaptados", disse à Reuters o especialista em marketing esportivo José Carlos Brunoro.

"Esse custo nas arenas tem um retorno estimado em oito anos se as arenas forem bem administradas. Essas obras deveriam ser da iniciativa privada, e o governo se concentraria nas obras estruturais."

Trem Bala

Apesar da avaliação positiva do comitê de inspeção da Fifa que visitou o país em agosto e setembro, o documento revela necessidade de melhorias na segurança das cidades e cita como "de grande importância" o novo projeto do trem bala Rio-São Paulo. Estudos iniciais estimam custo de 6 bilhões de dólares para o novo trem.

Com relação à segurança, a Fifa cita o investimento de 3,3 bilhões de dólares do governo federal no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) como forma de combater a criminalidade antes do Mundial.

"Para você atender os requerimentos do Caderno de Encargos terá que melhorar muito o transporte urbano e a segurança. A gestão do espaço urbano tem sido muito ruim, é possível que a Copa induza a melhorias nesses serviços", retoma Belluzo, atual diretor de planejamento do Palmeiras.

Além da parceira com a iniciativa privada, o Brasil também terá direito a um aporte financeiro da Fifa, referente aos patrocinadores do evento. A favor do Mundial, também pesa a geração de empregos e o turismo esportivo que o país despertará quando passar a ser a grande área do mundo daqui a sete anos.

"Quando você faz uma Copa, você tem além dos estádios, a infra-estrutura das cidades, transporte, aeroportos, segurança. Nesse aspecto, você vai gerar empregos para essas situações e vai gerar serviços quando terminar a Copa", acrescentou Brunoro.

O economista Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central e um dos coordenadores da campanha do Brasil à Copa de 2014, acredita que as perspectivas positivas para a economia brasileira nos próximos anos podem contribuir para o sucesso do Mundial no país.

"O Brasil está muito bem economicamente e em vias de se tornar grau de investimento. Isso vai trazer muitos benefícios ao país. Haverá um grande fluxo de investimentos no Brasil e tenho certeza que a iniciativa privada terá interesse na Copa do Mundo no Brasil", afirmou o economista, que viajou para Zurique, na Suíça, para participar da cerimônia na Fifa.

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