Brasil assume conta bilionária para se arrumar até 2014

segunda-feira, 29 de outubro de 2007 16:51 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciar ao meio-dia de terça-feira o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o país assumirá uma dívida de no mínimo 10 bilhões de dólares para modernizar seus estádios e levantar a infra-estrutura necessária para um Mundial nos moldes atuais.

Nenhum estádio do país tem hoje em dia condições de receber uma partida de Copa do Mundo, segundo relatório de inspeção da Fifa publicado na semana passada, e aspectos fundamentais como segurança, transporte e acomodação também foram abordados como carentes de investimentos.

"O Brasil hoje está muito despreparado se comparar com outros países neste momento, mas pode ser que daqui a sete anos esteja melhor", disse à Reuters o economista Luiz Gonzaga Belluzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no governo José Sarney (1985-87).

"Em um evento como a Fórmula 1 em São Paulo, fica evidente que a cidade não tem infra-estrutura. As cidades brasileiras vão precisar se adequar."

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima que 1,1 bilhão de dólares serão gastos nos estádios, seja em reformas e adequações ou na construção de novas arenas. Das 18 cidades pré-candidatas a sedes do Mundial, quatro têm projetos de novos estádios -- Recife, Salvador, Maceió e Natal.

As outras cidades, incluindo as praticamente confirmadas Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, já apresentaram projetos de reformas em seus palcos. Entre 10 e 12 cidades serão escolhidas em 2009 como sedes dos jogos do Mundial.

O custo com os estádios -- quase o mesmo das Copas da Alemanha (2006) e África do Sul (2010) --, que a CBF garante será financiado pela iniciativa privada, é questão considerada mais simples entre os desafios futuros do país.

Ainda assim, gastar em estádios o que poderia ser investido em educação e saúde é uma das questões levantadas pelos críticos da realização do Mundial no país. Afinal, vale a pena?   Continuação...

 
<p>Quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciar o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o pa&iacute;s assumir&aacute; uma d&iacute;vida de no m&iacute;nimo 10 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para modernizar seus est&aacute;dios e levantar a infra-estrutura necess&aacute;ria para um Mundial. Foto em Bel&eacute;m, 28 de outubro. Photo by Paulo Santos</p>