Autoridade chinesa desiste da tocha por escolas que desabaram

quinta-feira, 29 de maio de 2008 12:54 BRT
 

Por Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - Uma autoridade chinesa desistiu de participar do revezamento da tocha olímpica devido às edificações precárias das escolas, que desabaram facilmente durante o terremoto, matando um número desproporcional de crianças.

Lin Qiang, vice-inspetor do Departamento de Educação da Província de Sichuan, é a primeira autoridade a assumir publicamente que a corrupção pode ter contribuído para os desabamentos, que soterraram milhares de crianças em um minuto.

O órgão inspetor de qualidade nacional recolheu amostras dos escombros das escolas que desabaram, para avaliar se foi usado material de baixa qualidade, disse uma importante autoridade chinesa na quinta-feira. A revolta é crescente entre os pais, que acusam as autoridades de cortar gastos e não atender a padrões de segurança. A imprensa chinesa acompanha a questão com afinco.

"Se nós, autoridades da educação, não tivéssemos aberto brechas para a corrupção, os prédios estariam de pé, tal qual a escola primária", disse Lin à Xinhua, agência de notícias oficial.

Ele se referia a uma escola de Beichuan, construída com doações. Ela ficou de pé enquanto o prédio para o ensino fundamental, logo ao lado, desabou, soterrando 1.300 pré-adolescentes. Escolas similares, financiadas pelo projeto Hope, também resistiram nas outras cidades atingidas pelo terremoto.

A Xinhua disse que Lin foi uma das primeiras autoridades a chegar a Beichuan e as cenas dos pais vasculhando os escombros com as próprias mãos "golpeou a sua consciência".

"Como administrador educacional, eu tenho responsabilidade especial, se não direta, por aquelas crianças inocentes e seus pais e parentes", disse Lin.

"Sinto profundo pesar por eles. Então, tenho de rejeitar a honra de participar do revezamento, como compensação", acrescentou.

(Reportagem adicional de Lucy Hornby)