30 de Outubro de 2007 / às 15:12 / 10 anos atrás

Boleiros festejam e críticos alertam para corrupção na Copa-2014

<p>Torcedor sacode bandeira em frente ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Grande parte dos 'boleiros' est&aacute; em festa com a confirma&ccedil;&atilde;o do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, enquanto os cr&iacute;ticos alertam para a falta de transpar&ecirc;ncia e a eventual corrup&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o dos recursos para preparar o grande evento. Photo by Bruno Domingos</p>

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Grande parte dos "boleiros" está em festa com a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, enquanto os críticos alertam para a falta de transparência e a eventual corrupção na gestão dos recursos para preparar o grande evento.

"Valeria a pena se tivesse gente séria, uma gestão transparente, com objetivos de melhorias sociais. Mas do jeito que está vai ser uma roubalheira", dispara o ex-jogador Sócrates, crítico da administração da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), presidida por Ricardo Teixeira há 18 anos.

Sócrates é um caso raro entre ex-jogadores, dirigentes, técnicos e atletas, que, em geral, aplaudiram a decisão da Fifa, anunciada nesta terça-feira.

Mario Jorge Zagallo, campeão mundial como jogador, técnico, e auxiliar-técnico, comemora a chance de o Brasil jogar um Mundial em casa depois de tanto tempo -- o país sediou a Copa de 1950.

Torcedor ferrenho da "amarelinha", Zagallo vê o sexto título mundial mais perto. "Das cinco Copas conquistadas, o Brasil não ganhou em casa. É o único (campeão mundial) que não ganhou em casa. Vamos ver se em 2014 repetimos o que os outros fizeram", disse ele à Reuters.

"Tem sete anos pela frente para construir estádios, principalmente no Nordeste, onde vai ter sede da Copa", acrescentou ele, sem querer entrar na discussão sobre de onde sairia o investimento.

A administração do dinheiro, no entanto, preocupa a comentarista esportiva e vereadora por São Paulo Soninha Francine (PPS). A confirmação do Brasil como sede da Copa deixa a vereadora dividida.

"Ao mesmo tempo que eu acho legal pela história que a gente tem no futebol, eu acho super temerário. Quando se fala de somas de dinheiro como o necessário para disputar uma Copa do Mundo e tudo que gira em torno dela, não tem como não temer pelo nosso histórico de corrupção no setor público, setor privado."

Soninha criticou a organização do futebol brasileiro, citando dificuldades para comprar ingresso e entrar e sair dos estádios. Ela se disse a favor do investimento do setor público em infra-estrutura, mas não em reformas de estádios.

Para Sócrates, a CBF não conseguirá recursos suficientes da iniciativa privada e o dinheiro "vai sair do nosso bolso mais uma vez", como nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em julho deste ano, quando o governo federal bancou a maior parte dos mais de 4 bilhões de reais gastos.

Um dos legados do Pan foi a reforma do estádio do Maracanã, que ainda assim segue fora dos padrões exigidos pela Fifa. O ex-jogador Bebeto elogiou, mas disse que "ainda tem a questão do estacionamento, da segurança".

"Tem que se fazer tudo conforme os padrões da Fifa...Não acredito em vexame não. Todos os eventos que a gente se propôs a fazer, a gente sempre fez muito bem. O Pan-Americano foi uma mostra do que pode ser feito", completou o atacante campeão mundial em 1994.

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