October 30, 2007 / 6:12 PM / in 10 years

Além do Maracanazo, Copa de 50 teve confusão e desistências

4 Min, DE LEITURA

Por Mike Collett

ZURIQUE (Reuters) - Se para o Brasil a Copa do Mundo de 1950 foi marcada pelo Maracanazo diante do Uruguai, para o resto do mundo o torneio entrou para a história como um Mundial caótico, com apenas 13 seleções, que não teve uma final de verdade, e em que os jogos dentro do mesmo grupo eram realizados a milhares de quilômetros de distância.

Naquela época, assim como hoje, o Brasil foi candidato único a sediar a Copa. Em 1946, com a Europa em ruínas depois da Segunda Guerra Mundial, o Congresso da Fifa realizado em Luxemburgo queria ressuscitar o torneio a todo custo, já que a última edição tinha sido realizada na França, em 1938 -- tendo a Itália como campeã.

A Fifa também queria que a Copa acontecesse o mais rápido possível, por isso pretendia que ela fosse disputada em 1949.

Em sua candidatura, o Brasil disse que estaria preparado para sediar um torneio com 16 seleções em 1950 -- mas, mesmo no dia do último jogo, o entorno do Maracanã ainda parecia um canteiro de obras.

As eliminatórias para a competição contaram com apenas 34 seleções, e só 12 juntaram-se ao Brasil na Copa. A Escócia, que tinha se classificado em segundo lugar no grupo britânico, recusou-se a participar por não ser a campeã do grupo.

A Índia desistiu porque a Fifa não permitiu que os jogadores atuassem descalços, e a Turquia também retirou-se sem dar explicações, depois de ter ganho da Síria por 7 x 0 e se classificado.

A França, cuja federação de futebol tinha como presidente Jules Rimet, inicialmente concordou em substituir a Escócia, mas depois se recusou a disputar partidas dentro do mesmo grupo em locais 3.000 km distantes um do outro.

Em vez de os grupos serem repensados por causa das desistências, a Copa começou com dois grupos de quatro seleções, um de três e um de apenas duas. O vencedor de cada grupo se classificava para um quadrangular final.

O Brasil estreou batendo o México por 4 x 0 diante de 80 mil torcedores no Maracanã. Ademir, que seria o artilheiro da competição com oito gols, marcou duas vezes na partida.

A Inglaterra fez sua estréia em Copas do Mundo, embora fosse o berço do futebol. Havia grande expectativa em torno dos ingleses, mas uma derrota inesperada em Belo Horizonte para os Estados Unidos, por 1 x 0, frustrou os planos.

Jornalistas que receberam o resultado na Inglaterra acharam que se tratava de um erro de digitação e ficaram esperando a correção, que nunca veio. Os ingleses perderam também por 1 x 0 para os espanhóis e foram desclassificados.

O quadrangular final foi disputado por Espanha, Suécia, Brasil e Uruguai. O Brasil bateu a Suécia por 7 x 1 -- Ademir fez quatro -- e a Espanha por 6 x 1. Os brasileiros foram para o último jogo, contra o Uruguai, precisando apenas de um empate.

Apesar de na prática ter sido uma decisão, não foi realmente uma final, ao contrário do que ficou registrado na história. Naquele dia 16 de julho, os quase 200 mil torcedores presentes ao Maracanã tiveram a certeza de que o título já era brasileiro quando Friaça fez 1 x 0 para o Brasil, no comecinho do segundo tempo.

Mas o Uruguai não se entregou e empatou 20 minutos depois, com um chute indefensável de Juan Schiaffino. Faltando 11 minutos para o tempo regulamentar acabar, Alcides Ghiggia desempatou para o Uruguai, decretando a mais dolorosa derrota da história do esporte brasileiro.

A sensação de luto durou oito anos, até o primeiro título mundial, com o então adolescente Pelé, em 1958.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below