África pede que ricos cumpram promessas de ajuda

segunda-feira, 22 de setembro de 2008 23:47 BRT
 

Por Lesley Wroughton

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Líderes africanos pediram na segunda-feira que, apesar das atuais turbulências econômicas, os países ricos cumpram suas promessas de ajuda ao desenvolvimento e combate à pobreza no continente.

O presidente da Tanzânia e da União Africana, Jakaya Kikwete, disse numa reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) que os países ricos têm "obrigação moral" de ajudar os pobres, mesmo com o eventual agravamento da crise.

Segundo ele, esse dinheiro é especialmente importante porque muitos países da África estão crescendo aceleradamente e precisam construir uma infra-estrutura de transportes e energia que permita levar seus produtos aos mercados internacionais.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lembrou que a África está ficando para trás no cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas em 2000 para serem alcançadas até 2015, especialmente na redução da pobreza.

Ele disse que é preciso um esforço concentrado para ajudar a África a superar novos desafios, como o aumento dos preços de alimentos e combustíveis e a mudança climática.

Ban, que falou sobre a pobreza no seu discurso anual à Assembléia Geral da ONU, disse que a África deveria receber 72 bilhões de dólares anuais em ajuda.

"Esse preço pode parecer assombroso, mas é factível e se enquadra sob compromissos de ajuda existentes", disse ele, lembrando que os países industrializados gastaram em 2007 267 bilhões de dólares só em subsídios agrícolas.

O plano do governo dos EUA para auxiliar instituições financeiras em dificuldades equivale a 10 vezes a quantia que Ban pediu para a África. A crise financeira elevou o preço global do petróleo em mais de 20 por cento, recorde de aumento em um só dia -- o barril superou os 120 dólares na segunda-feira.   Continuação...