Dunga usa 2o lugar como escudo contra críticas

quinta-feira, 16 de outubro de 2008 12:04 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Apesar de seu time ter passado em branco pela terceira partida consecutiva em casa, o técnico da seleção brasileira, Dunga, usou o segundo lugar nas eliminatórias da Copa como escudo para defender-se dos questionamentos a respeito da incapacidade da seleção brasileira em furar as defesas dos times que vêm jogar no país.

Graças à derrota da seleção argentina para o Chile, o Brasil manteve-se na vice-liderança no torneio classificatório para o Mundial de 2010, mesmo com o empate de 0 x 0 contra a Colômbia, 7a colocada, nesta quarta-feira, no Maracanã.

"Estão plantando uma crise, uma confusão", afirmou o técnico, em entrevista coletiva, depois do terceiro empate sem gols consecutivo da seleção como mandante. Antes, o Brasil também ficou no 0 x 0 em casa com Bolívia e Argentina.

"Nós estamos em segundo, acho um pouquinho exacerbado. Lógico que não jogamos um bom futebol, mas tem que ter um pouquinho de equilíbrio, parece até que nós estamos em último", acrescentou Dunga, que mais uma vez foi bastante vaiado pela torcida, no Maracanã, assim como aconteceu no Engenhão (contra a Bolívia) e no Mineirão (contra a Argentina).

Diante de 55 mil torcedores, a seleção brasileira repetiu a história das rodadas passadas das eliminatórias. Depois de vencer a Venezuela por 4 x 0 fora de casa, a equipe foi apática jogando em casa e acabou concedendo o empate a uma equipe que vinha de três derrotas consecutivas.

Agora, a seleção soma 17 pontos em 10 jogos na competição, atrás do líder Paraguai, que abriu vantagem de 6 pontos com a vitória de 1 x 0 sobre o Peru. A Argentina vem em terceiro, com 16, seguida por Chile (16) e Uruguai (13). Os quatro primeiros colocados se classificam diretamente para a Copa de 2010, e o quinto disputa uma repescagem.

Segundo o técnico Dunga, as vaias ouvidas desde o primeiro tempo para seu time repetem o que já aconteceu no passado com outras seleções brasileiras nas eliminatórias, mas que depois conseguiram se recuperar e até conquistar o título mundial.

"Não é nada anormal. As dificuldades são as mesmas que outras seleções do Brasil encontraram nas eliminatórias. Claro que nós gostaríamos de jogar melhor, mas a seleção está acostumada com a dificuldade das eliminatórias", afirmou Dunga, cuja equipe encerra o ano com um amistoso no mês vem contra Portugal, em Brasília.

Ao contrário de outras vezes, Dunga não reclamou do comportamento do torcedor, que ainda no primeiro tempo entoou o já tradicional canto de "Adeus, Dunga", além das vaias insistentes durante toda a partida. O treinador, entretanto, afirmou que as críticas prejudicaram o rendimento da equipe e que técnicos vitoriosos do passado enfrentaram a mesma situação.

"A torcida é normal, quando o Brasil não ganha é assim mesmo. Não sou o primeiro nem o último. Até o técnico mais vitorioso da seleção, o Zagallo, já passou por isso. Felipão e Parreira também", disse ele, citando três técnicos campeões do mundo com a seleção brasileira.

 
<p>T&eacute;cnico Dunga reclame de jogada no banco de reservas da sele&ccedil;&atilde;o brasileira, durante empate de 0x0 com a Col&ocirc;mbia, quarta-feira, no Maracan&atilde;. REUTERS/Bruno Domingos</p>