ANÁLISE-Crise financeira deve mudar cenário do futebol europeu

terça-feira, 21 de outubro de 2008 12:26 BRST
 

Por Antonella Ciancio

MILÃO, Itália (Reuters) - Os inebriantes dias de crédito fácil e salários altos estão chegando ao fim no esporte da Europa como consequência da crise financeira mundial que obrigou os clubes e as autoridades a mudarem de rumo.

"Neste momento, ainda é difícil prever toda a dimensão da crise de crédito, mas tenho certeza que o futebol e outras modalidades esportivas serão enormemente afetadas", disse Paul Blakey, professor de gerenciamento esportivo na Universidade Northumbria.

"Isso pode significar que práticas empresariais alternativas serão necessárias a fim de garantir que a modalidade continue a existir no seu formato atual", acrescentou o professor.

Já mergulhados em dívidas, muitos clubes de futebol da Europa terão agora dificuldades maiores para ter acesso a linhas de crédito.

O futebol inglês sozinho possui cerca de 3 bilhões de libras (5,2 bilhões de dólares) em dívidas e a Uefa (entidade que controla o futebol na Europa) avalia a possibilidade de proibir os clubes excessivamente endividados de participarem de suas competições.

"Recentemente, mencionou-se a possibilidade de que nenhum clube possa ter mais de 30 por cento ou 40 por cento de seu faturamento em dívidas. Isso lhes provocaria problemas imensos", afirmou Chris Gratton, professor de economia do esporte na Universidade Sheffield Hallam.

Dave Whelan, proprietário do Wigan Athletic (que participa da primeira divisão do futebol inglês), está entre os defensores da imposição de tetos salariais para evitar que os grandes clubes sejam controlados por seus credores.

O diretor-executivo do AC Milan, Adriano Galliani, menosprezou os riscos enfrentados pelo futebol italiano, onde famílias ricas continuam sendo muito influentes e "os prejuízos sempre são cobertos pelos acionistas ricos."   Continuação...

 
<p>O t&eacute;cnico Luiz Felipe Scolari, do clube ingl&ecirc;s Chelsea. Os inebriantes dias de cr&eacute;dito f&aacute;cil e sal&aacute;rios altos est&atilde;o chegando ao fim no esporte da Europa como consequ&ecirc;ncia da crise financeira mundial que obrigou os clubes e as autoridades a mudarem de rumo. 22 de outubro.REUTERS/Eddie Keogh (BRITAIN)</p>