21 de Outubro de 2008 / às 14:37 / em 9 anos

ANÁLISE-Nos EUA, setor esportivo sofre com falta de dinheiro

Por Ben Klayman

CHICAGO, EUA (Reuters) - Um público menor representa apenas a primeira pedra do dominó a cair nas ligas esportivas dos EUA, que poderiam enfrentar também gastos menores da parte de empresas, um faturamento estagnado ou em queda e o congelamento do valor de suas equipes devido a uma recessão global, disseram analistas.

A fim de enfrentar esses problemas, os diretores das ligas começaram a oferecer promoções com ingressos, a diminuir a mão-de-obra empregada e, no caso da Liga Nacional de Futebol (NFL), a reabrir as negociações sobre os contratos firmados com seus jogadores a fim de diminuir os custos.

Apesar de muitas modalidades continuarem faturando alto, os dirigentes não acreditam mais que o setor esteja imune à crise.

“Nós fizemos uma manobra arriscada ao aumentar o preço dos ingressos, algo que regressará para assombrar as grandes modalidades esportivas”, afirmou Michael Cramer, professor de gerenciamento de esportes na Universidade Nova York.

“Não são apenas as pessoas com menor renda que enfrentam dificuldades”, acrescentou Cramer, ex-presidente do Southwest Sports Group, que controla as equipes Texas Rangers, de beisebol, e Dallas Stars, de hóquei. “São as mais ricas que estão sem dinheiro.”

Os sinais de uma recessão acumulam-se, entre os quais uma queda no número de espectadores na temporada da Major League de Beisebol, uma retração na venda de ingressos da NBA e o surgimento de um memorando da NFL citando dificuldades em seu faturamento.

Somem-se a esse cenário cortes no patrocínio da parte de empresas como as instituições financeiras e montadoras de veículos, e o setor esportivo dos EUA enfrentará sérios problemas.

GREVE À VISTA?

A situação pode piorar ainda mais para os torcedores se a recessão levar as ligas esportivas a tentarem diminuir os salários dos jogadores, resultando em greves, disse Neal Pilson, chefe de uma empresa de consultoria do setor esportivo e ex-presidente da CBS Sports.

Em maio, a NFL optou por iniciar antecipadamente as negociações com o sindicato de seus jogadores.

David Stern, comissário da NBA que assistia a um jogo da pré-temporada em Londres, na semana passada, disse que a entidade havia diminuído sua força de trabalho em 9 por cento em meio a um “aperto do cinto” resultante de uma economia em desaceleração. Mais tarde, Stern acrescentou que a NBA pode avaliar a possibilidade de diminuir o preço dos ingressos.

Executivos da entidade disseram que a venda de ingressos neste ano mostrava-se pior do que a do ano passado, mas que esperavam ver uma recuperação durante a temporada. Não obstante a crise, a liga vem dando continuidade a seus planos de construir ao menos 12 ginásios na China.

As empresas que patrocinam a modalidade também começaram a cortar gastos.

A montadora General Motors, cujo faturamento caiu junto com seu volume de vendas, disse no mês passado que não pagaria para veicular anúncios de TV durante o Super Bowl da NFL em 2009, revelou a TNS Media Intelligence. A empresa gastou quase 46 milhões de dólares nos últimos quatro anos com o evento.

Essa decisão veio à tona dois meses depois de a GM haver dito que cortaria os gastos realizados com as competições automotivas, entre as quais a Nascar (associação que controla a stock car nos EUA).

A Nascar também enfrentaria problemas no próximo ano já que muitos dos ingressos da atual temporada foram comprados antes da recente crise, disse Michael Pitts, professor de estratégia de gerenciamento na Universidade Virginia Commonwealth.

“Quantas pessoas vão receber ingressos da Nascar como presente de Natal? É mais provável que recebam cartões para abastecer seus carros”, afirmou. “Talvez a gente olhe para trás (para 2008) e diga que esses foram os bons tempos.”

COM TODOS A BORDO

A preocupação deve ser especialmente grande em esportes como o golfe, onde as empresas gastam entre 5 milhões e 10 milhões de dólares por torneio, afirmaram analistas.

Apesar de continuarem de pé os patrocinadores e os contratos firmados para até 2010 e além disso, o golfe viu sua audiência televisiva cair neste ano já que o jogador mais famoso da modalidade, Tiger Woods, suspendeu sua temporada na metade de junho a fim de realizar uma cirurgia no joelho.

“Estamos precisando como nunca de dar a volta por cima porque eu sei que uma crise econômica prolongada afetará todo mundo”, disse Tom Wade, diretor de marketing da PGA Tour, de cujos 47 eventos deste ano, 15 serão patrocinados por instituições financeiras.

Reportagem adicional de Michael Szabo

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