5 de Dezembro de 2008 / às 11:01 / 9 anos atrás

Vítima da crise, Honda confirma despedida da Fórmula 1

<p>Carro de Rubens Barrichello, que trabalhava para a Honda. A equipe decidiu deixar a Formula 1 por causa da criseWolfgang Rattay/Files (GERMANY)</p>

Por Alastair Himmer

TÓQUIO (Reuters) - A Honda causou nesta sexta-feira um duro golpe à Fórmula 1, ao anunciar oficialmente sua desistência imediata da categoria, devido à necessidade de cortar custos num cenário de crise econômica global.

A segunda maior fabricante japonesa de automóveis, enfrentando forte queda nas vendas, informou que não está mais disposta a investir meio bilhão de dólares por ano na equipe da Fórmula 1.

O executivo-chefe da Honda, Takeo Fukui, disse que uma volta ao automobilismo deve demorar, e que não há planos de continuar nem mesmo como fornecedora de motores.

"Essa decisão difícil foi tomada recentemente, à luz do ambiente operacional em rápida deterioração que o setor automobilístico global enfrenta", disse Fukui.

"A Honda deve proteger as suas atividades essenciais e garantir o longo prazo, já que incertezas generalizadas na economia do mundo continuam a crescer."

O fim da Honda terá impacto direto no futuro dos pilotos brasileiros Rubens Barrichello, Bruno Senna e Lucas di Grassi, que disputavam um lugar na equipe para a temporada 2009. O britânico Jenson Button, que já estava confirmado, também pode acabar sem emprego.

Neste ano, Fukui havia dito à Reuters que gastaria "1 trilhão de ienes" (cerca de 10 bilhões de dólares) caso isso garantisse uma Honda vitoriosa na F1. Agora, seu discurso mudou.

"A esta altura, não temos planos de voltar à F1. Não temos planos de fornecer motores para outras equipes. Não queremos estar metade dentro e metade fora do esporte", disse ele.

A Honda ainda tem algumas semanas para encontrar um comprador disposto a manter a equipe na próxima temporada, que começa em 29 de março, na Austrália. Segundo o chefão da categoria, Bernie Ecclestone, "muitas partes" já se mostraram interessadas em adquirir a escuderia.

"Adoraríamos continuar na Fórmula 1, mas simplesmente não conseguimos no atual clima financeiro", disse Fukui.

A exemplo de todas as grandes fábricas, a Honda vive uma redução global no seu faturamento, o que é especialmente dramático nos EUA, seu maior mercado, onde as vendas caíram 32 por cento em novembro.

"Sair da F1 terá um grande impacto em termos de corte geral de custos", disse o executivo. "O mais importante para a Honda é ver onde estaremos nos próximos três a cinco anos."

Outros participantes importantes da F1 também buscam reduções de custos para sobreviver, e a saída da Honda terá sérias implicações para o glamour do esporte. Outros fabricantes de automóveis que estejam na mesma situação da Honda -- como a Toyota ou a Renault -- poderiam fazer a mesma coisa.

Sem a Honda, o grid da categoria em 2009 fica com apenas nove equipes e 18 carros. Ainda há vagas para pilotos em algumas poucas equipes.

Apesar dos seus recursos, a Honda teve um 2008 pífio, e depositava suas esperanças nas novas regras que devem nivelar as equipes a partir do próximo ano.

Button, que com a Honda venceu o GP da Hungria em 2006, marcou apenas 3 pontos neste ano. Barrichello fez 11. A equipe ficou em nono no Mundial de Construtores.

Reportagem adicional de Alan Baldwin, em Londres, e Chang-Ran Kim

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