Mosley pede inovação na F1 e critica Ferrari

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 17:16 BRST
 

Por Alan Baldwin

LONDRES (Reuters) - A Fórmula 1 sofre com a falta de inovação e precisa de uma completa reformulação para resistir à crise financeira global, disse na quarta-feira o dirigente Max Mosley, presidente da Federação Internacional do Automobilismo (FIA).

"Precisamos reduzir custos dramaticamente e trazer a inovação de volta à Fórmula 1", disse ele numa reunião da cúpula do automobilismo em Mônaco.

"Precisamos estabilizar o sistema com um motor-base, que qualquer um possa ter e não seja caro, e também com uma caixa de câmbio padronizada. Isso estabilizará a Fórmula 1 até que possamos trazer novos motores energeticamente eficientes, que indubitavelmente serão o futuro."

Mosley também tem defendido com entusiasmo o sistema Kers, a ser introduzido em 2009, que captura energia gerada pelos freios e a transforma em potência adicional ao carro. Algumas equipes pedem o adiamento da novidade, e outras ameaçam começar a temporada sem ela.

Mas o dirigente se mostrou otimista. "Um fabricante produziu sistemas elétricos que irão surpreender as pessoas quando aparecerem, outra equipe está trabalhando em uma tecnologia completamente nova, que também irá surpreender as pessoas", afirmou.

"Mas algumas equipes de ponta, como a Ferrari, disseram que não gostam do Kers porque é 'complicado demais'. Dá para imaginar grandes engenheiros da F1, como (o fundador da Lotus, Colin) Chapman ou (o projetista da Cosworth DFV Keith) Duckworth dizendo: 'Não posso fazer porque é complicado demais'?"

Ainda nesta semana, uma outra reunião envolvendo as equipes irá discutir a proposta de um motor-padrão de baixo custo para 2010, além de estratégias para a sobrevivência da categoria em longo prazo.

A Fórmula 1 sofreu um golpe na semana passada com a decisão da Honda de abandonar a categoria. Mosley alertou que outras fábricas podem fazer o mesmo. "A Honda saiu por causa da queda na venda de carros, e não há garantia de que essa queda nas vendas, que afeta todos os fabricantes, não irá se agravar."

"Se isso ocorrer", prosseguiu, "temos de nos preparar para que outras fábricas abandonem não só a Fórmula 1, mas outras áreas do automobilismo também".

"O que está errado com a Fórmula 1 hoje estava errado antes que qualquer dos atuais problemas econômicos aparecesse", acrescentou Mosley, para quem a categoria precisa continuar sendo o supra-sumo da tecnologia automobilística.