Clubes europeus vivem desafio de renovar patrocínio na crise

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009 13:12 BRT
 

Por Antonella Ciancio

LONDRES (Reuters) - Quinze clubes da elite do futebol europeu estão sob pressão para renovar seus patrocínios de camisa para a próxima temporada, já que seus contratos chegam ao fim em meio à crise econômica global.

Os contratos de patrocínio de camisa, a espinha dorsal da receita dos clubes, normalmente são considerados imunes às crises financeiras, porque têm longa duração e grande exposição na mídia. Entretanto, analistas preveem tempos difíceis para os clubes de menor expressão, uma vez que as empresas tentam enxugar seus orçamentos.

"Em tempos de penúria financeira, as empresas vão naturalmente procurar maneiras de cortar os custos, e o patrocínio de eventos esportivos, incluindo as camisas de futebol, parecem um alvo natural e fácil", disse à Reuters Chris Brooks, professor de finanças e diretor de pesquisas do Centro ICMA, da Universidade de Reading.

Apesar de muitos especialistas considerarem improvável que clubes de ponta como o Manchester United tenham dificuldade em conseguir novos acordos lucrativos, clubes menores podem ter que aceitar uma receita menor.

Várias empresas, incluindo a companhia aérea de capital malásio AirAsia e a Saudi Telecom, já apareceram na mídia como potenciais patrocinadores do Manchester, após a gigante de seguros norte-americana AIG ter anunciado que não renovará seu contrato que termina em 2010.

"Mesmo que os clubes de futebol continuem atraindo alguns patrocinadores, é mais provável que os próximos acordos sejam menos lucrativos para os clubes", disse Joe McLean, especialista em finanças no futebol da consultoria Grant Thornton.

O West Ham United --que jogou três meses sem patrocinador depois que a empresa de turismo XL decretou falência no ano passado -- assinou um contrato de 18 meses com a empresa de apostas online SBOBET por metade do valor de seu contrato anterior.

O West Bromiwch Albion ainda não conseguiu um acordo de patrocínio, enquanto seis clubes do Campeonato Espanhol também começaram a temporada sem patrocinador.

"Fora da primeira classe, os clubes vão atravessar um caminho esburacado pelos próximos 18 meses, e terão de ajustar suas expectativas para conseguir novos acordos de patrocínio", disse Simon Chadwick, professor de marketing e estratégia de negócios no esporte da Universidade de Coventry.

 
<p>Brasileiro Maicon, da Inter de Mil&atilde;o, disputa bola com sul-coreano Park, do Manchester United, em jogo da Liga dos Campe&otilde;es. REUTERS/Stefano Rellandini</p>