Ninho de Pássaro de Pequim corre risco de virar elefante branco

segunda-feira, 16 de março de 2009 13:52 BRT
 

Por Nick Mulvenney

PEQUIM (Reuters) - Seis meses após 91.000 pessoas terem lotado o estádio Ninho de Pássaro para assistir à cerimônia de encerramento da Paraolimpíada que fechou as cortinas dos Jogos Olímpicos de Pequim, os administradores do local estão com dificuldades para ocupar a arena que se tornou um dos ícones da capital chinesa.

Em todo o mundo não são poucos os casos de enormes instalações olímpicas que raramente são utilizadas após os Jogos, e o Ninho de Pássaro, com um custo de 500 milhões de dólares, pode acabar se tornando o maior de todos esses elefantes brancos.

"A maioria dos estádios do mundo administrados com métodos normais não consegue dar lucro", disse à Reuters Zhang Hengli, vice-gerente-geral do consórcio responsável pela operação do estádio, o Citic.

"Mas a China é diferente. Primeiro, temos uma grande população. A outra coisa é que os estádios em Pequim são quase todos localizados em área lotadas, então conseguimos garantir um certo fluxo de pessoas, o que é um fundamento para o nosso lucro", acrescentou.

"Acredito que em boas condições econômicas, o estádio pode conseguir dar lucro."

Enquanto as condições econômicas não melhoram, Zhang afirmou que a receita oriunda da visita diária de 20 mil a 30 mil turistas atualmente consegue cobrir a despesa anual de manutenção, de 70 milhões de iuans (10,24 milhões de dólares), e de impostos, de 90 milhões de iuans.

Zhang reconheceu, no entanto, que as lembranças dos recordes batidos por Usain Bolt e das cerimônias espetaculares de abertura e encerramento vão aos poucos cair no esquecimento, o que deve diminuir a presença dos visitantes.

"Essas lembranças vão acabar quando chegarem as próximas Olimpíadas", disse Zhang. "Nosso trabalho é conseguir novos significados para o estádio. Vamos aumentar as atividades culturais para atrair os turistas visualmente e psicologicamente."   Continuação...