Jogadores mexicanos suam a camisa em estádios vazios

domingo, 3 de maio de 2009 11:43 BRT
 

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Nenhuma pessoa, das 33 mil que poderiam estar no estádio do Cruz Azul no sábado, aplaudiu o belo lançamento do meio-campista Gerardo Torrado, que chegou a arranhar o travessão da meta dos Índios de Juarez.

Essa partida da primeira divisão do Campeonato Mexicano foi disputada com portões fechados, uma amostra das medidas extremas tomadas pelo governo do México para conter uma onda da gripe H1N1.

Os gritos dos jogadores ecoavam por um estádio Azul vazio, como se não estivesse sendo disputada uma partida do Torneio Clausura, e sim um jogo em um campo de várzea.

A sucessão de cenas surreais começou quando os Índios entraram em campo correndo e saudando efusivamente uma plateia inexistente.

Até os passes mais suaves soavam como golpes fortes na tarde do último sábado.

Apenas nos segundos de bola parada, antes de um escanteio ou da cobrança de uma falta, se escutavam os gritos de uma dezena de torcedores do Cruz Azul que estavam nos arredores do estádio, situado em um bairro de classe alta na zona sul da Cidade do México.

"É injusto, porque a torcida quer apoiar seu time e não deixam. Não importa, apoiaremos aqui de fora. Para o time, faz falta", disse Pablo López, um estudante de 16 anos que levava um penteado moicano, óculos de sol e uma máscara protetora.

E realmente a torcida faz falta. O Cruz Azul é o lanterna na tabela de classificação do Torneio Clausura do futebol mexicano.

A paranóia que cerca a epidemia de gripe obrigou o clube a suspender as sessões com a imprensa e entrevistas com os jogadores. Para poder entrar no Estádio Azul, os jornalistas tiveram de levar máscaras protetoras e desinfetar as mãos.   Continuação...

 
<p>Daniel Campos, do Indios, e Geraldo Torrado, do Cruz Azul, disputam bola em partida disputada com port&otilde;es fechados. REUTERS/Henry Romero</p>