Blatter não vê problema em transferência recorde de C. Ronaldo

sexta-feira, 12 de junho de 2009 14:57 BRT
 

Por Mike Collett

JOHANESBURGO (Reuters) - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, minimizou nesta sexta-feira preocupações sobre a maior oferta do mundo por um jogador de futebol, feita pelo Real Madrid ao Manchester United por Cristiano Ronaldo, dizendo que isto demonstra a popularidade duradoura do futebol.

Blatter já fez críticas no passado sobre as grandes quantias de dinheiro envolvidas no esporte.

Mas ele disse em uma coletiva de imprensa em Johanesburgo que não viu nada de errado com a proposta de 80 milhões de libras (131,2 milhões de dólares) feita ao Manchester United pelo jogador de 24 anos, que ainda precisa ser finalizada.

O presidente da Uefa, Michel Platini, disse na quinta-feira que a oferta pelo português, eleito o melhor do mundo em 2008, foi excessiva, num momento em que o futebol enfrenta mudanças severas durante a recessão global.

Outras autoridades do esporte também criticaram a quantia.

Mas Blatter disse: "O que 80 milhões (de libras) significam quando 10 anos atrás outro jogador de mesmo nome (o brasileiro Ronaldo) mudou de time por 50 milhões de dólares?". "Isto significa que ainda há uma demanda para se ter estrelas."

Blatter acrescentou: "Nós estamos em um mercado muito sensível, em uma crise econômica, mas o futebol continua sendo um produto fantástico, não apenas para vender ou comprar, mas um produto que fornece às pessoas o que elas querem -- emoções. Eles querem as estrelas".

"Dez anos atrás uma pintura do período azul de Picasso foi vendida pela Sotheby's em Londres por mais de 100 milhões. E o que aconteceu à pintura?"

"Eles esconderam-na em algum lugar para que ninguém a pegasse. Ninguém pode vê-la. Mas você pode ver um jogador de futebol uma vez ou duas vezes por semana, ele está lá, é uma estrela. Vocês podem dizer que isto é demais, mas devem colocar isto no contexto de que o futebol em nossa sociedade vale a pena e que outras coisas em nossa sociedade valem a pena."

 
<p>Presidente da Fifa, Joseph Blatter. 20/07/2007. REUTERS/Dominic Ebenbichler</p>