Relato de que Semenya seria "hermafrodita" revolta sul-africanos

sexta-feira, 11 de setembro de 2009 12:42 BRT
 

Por Wendell Roelf

KLEINMOND, África do Sul (Reuters) - A África do Sul reagiu com revolta na sexta-feira à publicação por um jornal da notícia de que exames médicos feitos com a corredora campeã Caster Semenya teriam constatado que ela é hermafrodita, dotada de características sexuais femininas e também masculinas.

O organismo que rege o atletismo se negou a confirmar a notícia publicada pelo jornal australiano Daily Telegraph.

A AIFA disse que especialistas médicos estão estudando os resultados dos exames feitos com Semenya, que venceu a corrida de 800 metros feminina no Campeonato Mundial de Atletismo realizado no mês passado em Berlim. Nenhuma decisão será tomada antes do final de novembro.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, criticou a invasão da privacidade de Semenya e o que chamou de violação dos direitos dela, mas nem ele nem o ministro dos Esportes, Makhenkesi Stofile, desmentiram o jornal.

De acordo com o Daily Telegraph, os exames constataram que Semenya não tem útero nem ovários mas que possui testículos internos. Os testículos são os órgãos sexuais masculinos que produzem a testosterona, e os níveis desse hormônio na corredora eram três vezes superiores aos de uma mulher "normal".

De acordo com o jornal, a AIFA estaria "disposta a desqualificar Semenya de eventos futuros e aconselhá-la a submeter-se a cirurgia imediata, porque sua condição representa riscos graves à saúde. A AIFA não excluiu a possibilidade de tirar de Semenya a medalha de ouro de campeã dos 800 metros".

Em coletiva de imprensa em Pretória, o ministro Stofile disse: "Os direitos humanos de Caster não foram respeitados. A humilhação que ela e sua família sofreram ainda continua. Já orientamos uma equipe de advogados para prestar assessoria jurídica à jovem e seus pais."

Nick Davies, porta-voz da Associação Internacional de Federações de Atletismo (AIFA), disse que relatos da mídia sobre os resultados de exames de gênero não devem ser vistos como declarações oficiais do organismo esportivo.

"Os resultados estão sendo verificados por especialistas", disse Davies à Reuters. "Haverá um conselho da AIFA em 21 de novembro, e essa será uma oportunidade para se chegar a uma decisão conclusiva."

Alguns sul-africanos acusam a AIFA de racismo por ter pedido os exames de gênero de Semenya, observando que seus ombros largos e a musculatura imponente são comuns em mulheres atletas. Semenya foi recebida como heroína quando retornou de Berlim.