Chávez declara guerra ao golfe na Venezuela

segunda-feira, 14 de setembro de 2009 18:42 BRT
 

Por Andrew Cawthorne

CARACAS (Reuters) - No Caracas Country Club, o rolar das bolas de golfe e o canto dos pássaros contrasta com o ruído da vida urbana além dos limites arborizados de um dos mais antigos e refinados clubes da Venezuela.

Mas a paz e tranquilidade dos golfistas sofre uma ameaça sem precedentes desde que o presidente socialista Hugo Chávez manifestou abertamente sua antipatia por esse esporte "burguês", que se disseminou acompanhando a prosperidade petrolífera do país no século passado.

O discurso chavista, com o subsequente debate nacional sobre o golfe, são sintomáticos da polarização da sociedade venezuelana desde que Chávez assumiu o poder há dez anos, prometendo uma revolução.

Popularíssimo entre os pobres, o presidente acirra ressentimentos entre classes com uma retórica que lembra a do seu mentor cubano Fidel Castro. Reservadamente, os adversários também usam termos pejorativos alusivos à origem de Chávez e seus seguidores.

Sobre o golfe, Chávez declarou recentemente na cidade de Maracay: "Acho que é um esporte burguês, e não há justificativa para ter um campo de golfe no meio de uma cidade onde há tanta necessidade habitacional para o povo."

"Embora haja favelas, você tem 30 hectares para que um pequeno grupo de burgueses e pequenos burgueses possa ir jogar golfe... Eles são preguiçosos demais, usam carrinhos!", zombou.

MAIS RADICAL QUE FIDEL

A declaração de Chávez, que é um apaixonado pelos esportes, especialmente o beisebol, salientou e politizou o declínio das instalações de golfe na Venezuela. Vários campos fecharam nos últimos anos, e outros podem ter o mesmo destino se as autoridades decidirem colocar em ação as palavras de Chávez.   Continuação...

 
<p>Pessoas praticam golfe em campo na Venezuela. Presidente do pa&iacute;s, Hugo Ch&aacute;vez, declarou guerra ao esporte no pa&iacute;s. REUTERS/Jorge Silva</p>