September 29, 2009 / 5:12 PM / 8 years ago

Apoio na América do Sul é trunfo do Rio 2016, "pero no mucho"

5 Min, DE LEITURA

<p>Est&aacute;dio do Maracan&atilde; em projeto para os jogos ol&iacute;mpicos de 2016. Ajuda da Am&eacute;rica do Sul &agrave; cidade &eacute; menor que muitos gostariam.Rio2016/Handout</p>

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Rio de Janeiro tem como lema de sua candidatura à Olimpíada de 2016 trazer o movimento olímpico pela primeira vez para a América do Sul. Mas a ajuda do região à cidade na escolha desta semana será menor do que gostariam.

Dos 106 membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) que participam da votação do dia 2 de outubro em Copenhague apenas cinco são sul-americanos, dos quais dois são brasileiros -- o chefe da campanha Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e o ex-presidente da Fifa João Havelange.

Peru, Uruguai e Colômbia são os outros únicos países da região com representantes no colégio eleitoral que decidirá a sede dos Jogos de 2016 entre Rio, Chicago, Madri e Tóquio.

"O que o Brasil está fazendo é algo fantástico para a América do Sul... obviamente tem todo o apoio de Chile", disse à Reuters Neven Ilic, presidente do Comitê Olímpico Chileno, cujo apoio, no entanto, não vai reverter em votos.

Para a presidente do Comitê Olímpico Argentino, Alicia Morea, cujo país também não tem representação no COI, a falta de eleitores sul-americanos pode ser compensada pela presença em Copenhague do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que os chefes de Estado vem tendo papel cada vez mais importantes nas votações olímpicas.

"A presença de um presidente é algo que marca muito uma votação", disse ela à Reuters. "Quando Sochi foi eleita (sede dos Jogos de Inverno de 2014), antes da votação já se sabia que eles iam ganhar pela presença de (Vladimir) Putin, estavam todos hipnotizados", afirmou.

"Lula também tem muita força, é muito considerado", acrescentou.

Além de ter presença confirmada em Copenhague, Lula fez campanha pela candidatura brasileira durante várias viagens ao exterior. O rei Juan Carlos, da Espanha, também irá à votação, assim como o novo premiê do país, Yukio Hatoyama.

Já Chicago contará com o reforço de última hora do presidente norte-americano, Barack Obama, que fez sua carreira política na cidade e é visto como possível ponto de desequilíbrio a favor da candidatura.

Inicialmente Obama tinha planejado permanecer em Washington para as negociações da reforma do sistema de saúde dos EUA, sendo representado em Copenhague pela primeira-dama Michelle, mas a Casa Branca anunciou na segunda-feira que o presidente tentará pessoalmente conseguir votos para Chicago.

A candidatura brasileira também se apoia no relatório positivo da cidade apresentado pelos inspetores do COI este mês e pela realização do Pan-2007 e da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, que terá o Rio como provável palco principal.

"É um prazer que um país sulamericano esteja em um nível igual ou superior que outros países já com tradição de ter feito Jogos Olímpicos, como Estados Unidos, Japão e Espanha", disse à Reuters José Quiñones, presidente do Comitê Olímpico do Peru, esse sim com direito a voto.

"Desejamos o melhor ao Brasil e ao Rio, e esperamos que o Comitê Olímpico Internacional, através de seus membros, valorize o esforço e seriedade da proposta do Rio de Janeiro", acrescentou.

Se conseguir estender seu apoio ao norte, o Rio de Janeiro poderá somar mais cinco votos: dois de Cuba, e um de cada em Panamá, Guatemala e Porto Rico.

De acordo com o presidente do Comitê Olímpico Cubano, José Ramon Fernández, a ilha aposta na candidatura brasileira para encerrar o monopólio dos países ricos na realização das Olimpíadas.

Após recente visita de autoridades olímpicas brasileiras, Fernández "expressou sua esperança de que o Brasil possa vencer a sede, um privilégio até o momento das nações ricas e industrializadas", de acordo com o jornal Granma, do governante Partido Comunista.

(Reportagem de Claudio Cerda em Santiago; Patrícia Velez em Lima; Javier Leira em Buenos Aires e Nelson Acosta em Havana)

Edição de Maria Pia Palermo

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