1 de Outubro de 2009 / às 16:49 / em 8 anos

"Fator Obama" encara a hora da verdade na candidatura olímpica

Por Paul Radford

COPENHAGUE (Reuters) - Esporte e política convergem numa fusão potente na sexta-feira, com a credibilidade do presidente dos EUA em jogo, quando os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) vão escolher a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Os trunfos em jogo dificilmente poderiam ser maiores do que serão quando mais de 100 membros do COI se reunirem no Centro de Convenções Bella, em Copenhague, para escolher entre as candidaturas rivais de Chicago, Madri, Rio de Janeiro e Tóquio.

Embora a disputa já seja vista há muito tempo pela maioria dos especialistas olímpicos como a mais apertada da história, com quatro potenciais candidatos vencedores concorrendo, não há dúvida de que o “fator Obama” exerce peso grande e garantiu que o Chicago seja uma das candidatas favoritas.

Até hoje, nenhum presidente norte-americano no exercício do cargo já discursou numa sessão do COI, mas Barack Obama decidiu correr o risco mais ousado a sua reputação política, optando por comparecer em pessoa para defender a candidatura de sua cidade.

Enquanto ele vai passar a noite num avião, de Washington a Copenhague, e irá diretamente para a sessão do COI, a primeira-dama Michelle Obama já terá passado 48 horas na capital dinamarquesa, fazendo uma série instigante de reuniões individuais com membros votantes do COI.

É provavelmente a maior campanha de persuasão por carisma já empreendida no movimento olímpico.

O “fator Obama” pode ser o grande trunfo de Chicago, mas isso não quer dizer que os três rivais da cidade estejam desistindo da disputa.

Madri afirma que, ao enviar a Copenhague tanto o rei Juan Carlos quanto o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero, está superando os esforços de Obama.

Tóquio terá o recém-eleito primeiro-ministro Yukio Hatoyama chegando de avião na noite de quinta-feira para participar de sua equipe, e o Rio de Janeiro considera que tem carisma de sobra pelo fato de contar com a presença do presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva.

“SIM, NÓS PODEMOS”

Numa coletiva de imprensa na quinta-feira, Lula espertamente aproveitou um mote do manual eleitoreiro do próprio Obama, fazendo uso da palavra de ordem do presidente americano, “yes, we can”, ou “sim, nós podemos.”

“Desta vez nós queremos olhar para o mundo e dizer sim, nós podemos, nós podemos fazer isso”, disse Lula, acrescentando que o crescimento financeiro “mágico” de seu país e a recessão relativamente pequena que o atingiu fazem do Brasil o candidato de maior destaque.

Os corretores de apostas de Londres vêem Chicago como a favorita, o Rio como sua rival principal e Madri como a cidade que tem menos chances de ganhar, atrás de Tóquio.

Mas o procedimento de seleção olímpica é quase notoriamente imprevisível. Os membros do COI fazem uma série de turnos de votação secreta, até que um dos candidatos consiga mais de 50 por cento do total.

Nos últimos anos, o candidato visto como favorito em vários casos saiu perdendo.

Se Chicago perder a disputa, Obama terá um consolo. Nelson Mandela foi ao COI na cidade sede da organização, Lausanne (Suíça), mais de 12 anos atrás, para reforçar a candidatura da Cidade do Cabo. O COI ficou deslumbrado com sua presença, mas Cidade do Cabo ficou em quarto lugar, perdendo para Atenas.

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