October 3, 2009 / 3:13 PM / in 8 years

Brasil promete "recomeçar do zero" para subir no pódio em casa

5 Min, DE LEITURA

Por Pedro Fonseca

COPENHAGUE (Reuters) - O Brasil pode ter vencido os Estados Unidos na disputa pela sede da Olimpíada de 2016, mas terá que mudar o papel do esporte no país para tentar rivalizar com os norte-americanos e outras potências olímpicas na competição daqui a sete anos. E a pressão por resultados veio de cima.

Depois de liderar o Rio na vitória sobre Chicago, Tóquio e Madri na votação do Comitê Olímpico Internacional (COI), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou neste sábado que os atletas do país tenham um desempenho de destaque, contrário ao que normalmente marca as participações do Brasil nos Jogos.

Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, será necessário uma reforma geral na administração esportiva para que o país repita o sucesso de nações como a China, por exemplo, que desbancou os Estados Unidos e sagrou-se como grande vencedora dos Jogos de Pequim-2008.

"Vamos ter que recomeçar do zero", disse a jornalistas o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr. "Temos a oportunidade de mudar a política esportiva brasileira, usando os Jogos de 2016 como plataforma para o desenvolvimento do esporte brasileiro como um todo. O importante é que vamos começar algo novo, partindo do zero."

O Brasil, apesar de ter uma das maiores e mais diversificadas populações do mundo, nunca conquistou mais do que cinco medalhas de ouro numa mesma Olimpíada, e tem como recorde as 15 medalhas conquistas nos Jogos de Pequim. Até mesmo no futebol, o único título que falta ao vitorioso cartel nacional é o ouro olímpico.

Lula fez uma cobrança pública por resultados melhores quando os Jogos forem realizados pela primeira vez na América do Sul. De acordo com o presidente, uma das prioridades para a Olimpíada será traçar um plano de metas com todas as confederações esportivas.

"Temos que começar a pensar o que o Brasil quer nessa Olimpíada como um país competitivo. Vamos ter que fazer uma reunião com todos os presidentes de confederação e exigir que eles apresentem suas metas, para depois disso a gente montar uma estratégia de fazer as coisas acontecerem", disse Lula. "Vamos ser profissionais, da mesma forma que nos preparamos para a vitória (na votação)."

"Daqui a 10 anos, quero que o Brasil seja uma potência olímpica, temos condições para isso", acrescentou.

Talentos Na Escola

A estratégia do governo incluirá uma maior participação das escolas, segundo revelou o ministro do Esporte à Reuters antes da votação olímpica.

"Todo país do mundo relevante do ponto de vista esportivo tem na escola a formação da base dos talentos e na universidade um espaço prioritário de competições de bom nível e preparação desses atletas para grandes competições internacionais", disse o ministro, que considerou "deficiente" o programa brasileiro de esporte nas instituições de ensino.

Com sete anos restando para a Olimpíada, o Brasil não quer chegar a 2016 dependendo das poucas modalidades em que tem um bom histórico olímpico, como vôlei, iatismo e judô.

Apesar de ter conquistado uma medalha de ouro no atletismo em Pequim com a saltadora Maurren Maggi, o esporte mais tradicional dos Jogos Olímpicos vive uma de suas piores crises, após um escândalo de doping que cortou atletas às vésperas do Mundial de Berlim.

Na natação, César Cielo precisou ir treinar numa universidade norte-americana, com um técnico canadense, para dar ao Brasil seu único título olímpico no esporte, nos 100 metros em Pequim. Aos 22 anos, o bicampeão mundial disse que espera disputar a Olimpíada em casa.

Mas a cobrança maior certamente será sobre o futebol.

"Vamos ganhar pela primeira vez uma medalha de ouro no futebol na Olimpíada de 2016. Se a molecada não ganhar, vamos dar cascudo neles", brincou o presidente.

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