Jogo pelas Eliminatórias ajuda a amenizar clima em Honduras

sexta-feira, 9 de outubro de 2009 15:11 BRT
 

Por Frank Jack Daniel

TEGUCIGALPA (Reuters) - O presidente está trancado em uma embaixada depois de um golpe de Estado e o líder de facto está isolado, mas a maior parte dos hondurenhos só se importa com o futebol neste fim de semana, quando torcem por uma vitória sobre os Estados Unidos em uma partida crucial nas eliminatórias da Copa do Mundo.

Uma vitória no sábado coloca a seleção tentadoramente perto de conseguir uma vaga no mundial da África em 2010.

Seria apenas a segunda vez que o país participaria da competição - a primeira foi na Espanha em 1982.

A turbulência política no país dividido esfriou um pouco a febre futebolística antes do jogo, mas ainda assim os torcedores lotarão o estádio da cidade de San Pedro Sula ou se reunirão em torno das tevês em todo o país.

"Honduras tem duas paixões: futebol e política", afirmou Alberto Carranza, 52, lendo um jornal esportivo em um parque na capital Tegucigalpa.

"Estamos em uma situação difícil agora e este jogo funciona como uma fuga. Se vencermos os Estados Unidos poderemos relaxar um pouco".

O presidente Manuel Zelaya, deposto em um golpe em junho, está há mais de duas semanas exilado na Embaixada brasileira. Seu substituto no comando, Roberto Micheletti, enfureceu governos estrangeiros com o desligamento de veículos de comunicação e medidas duras contra protestos feitos por simpatizantes de Zelaya.

A equipe dos Estados Unidos chegou a San Pedro Sula na quinta-feira para se preparar para o jogo. A segurança será pesada para assegurar que nenhum protesto pró-Zelaya chegue ao estádio.

Os Estados Unidos lideram o grupo de qualificação e são favoritos para vencer no sábado, mas Honduras tem seu melhor time em anos, com muitos jogadores vindo de clubes europeus como a Inter de Milão e o Tottenham.

Zelaya poderá assistir o jogo na única tevê da Embaixada do Brasil, embora uma fonte da Reuters tenha dito que o sinal é ruim.