15 de Outubro de 2009 / às 13:56 / em 8 anos

Em crise pós-golpe, Honduras comemora vaga na Copa do Mundo

<p>Em crise p&oacute;s-golpe, Honduras comemora vaga na Copa do Mundo. REUTERS/Oswaldo Rivas</p>

Por Frank Jack Daniel

TEGUCIGALPA (Reuters) - Gritos de alegria e bandeiras sendo agitadas substituíram na noite de quarta-feira as manifestações políticas e as bombas de gás lacrimogêneo nas ruas de Tegucigalpa, que deixou temporariamente em segundo plano a crise institucional para comemorar a classificação para a Copa do Mundo de 2010.

Desde o golpe militar de 28 de junho, Honduras se acostumou a toques de recolher, restrições à imprensa e distúrbios em passeatas. Mas desta vez o que se viu foram eufóricas celebrações e o disparo de rojões depois da vitória de 1 x 0 sobre El Salvador.

Em combinação com o crucial gol do último minuto dos EUA contra a Costa Rica, o resultado garantiu a ida de Honduras a uma Copa pela primeira vez desde a inédita participação de 1982.

“Neste momento esquecemos tudo isso de crise, estamos só comemorando. Estou feliz demais!”, gritou Marlon Ramos, 23 anos, pulando numa alameda repleta de torcedores na capital.

O presidente de facto do país, Roberto Micheletti, decretou feriado nacional na quinta-feira. “Os gringos cassaram nossos vistos, mas nos deram um visto para a Copa do Mundo”, disse Micheletti pela TV, referindo-se a restrições impostas pelo governo dos EUA aos integrantes do seu governo.

À primeira vista, o veterano político nomeado pelo Congresso para a Presidência parece ter se beneficiado mais com a classificação do que o seu maior rival, o presidente deposto Manuel Zelaya. Micheletti foi entrevistado por vários canais de TV e cumprimentou os integrantes da seleção.

O presidente de facto disse que, apesar do feriado nacional, as negociações com os representantes de Zelaya prosseguiriam na quinta-feira.

Zelaya está há três semanas refugiado na embaixada do Brasil, desde que voltou clandestinamente do exílio que lhe foi imposto pelos golpistas.

O presidente deposto assistiu ao jogo na embaixada e abraçou seguidores depois da classificação, segundo uma testemunha da Reuters. Mas ele não apareceu na imprensa, majoritariamente favorável a Micheletti.

Apesar da emoção, o estudante Ramos disse que a crise política está longe de ser resolvida. “Temos de encontrar uma solução real para isso, mas por enquanto estamos simplesmente felizes de que iremos ao Mundial”, disse ele, agitando uma camiseta sobre a cabeça.

Reportagem adicional de Edgard Garrido e Gustavo Palencia

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