Em crise pós-golpe, Honduras comemora vaga na Copa do Mundo

quinta-feira, 15 de outubro de 2009 15:47 BRT
 

Por Frank Jack Daniel

TEGUCIGALPA (Reuters) - Gritos de alegria e bandeiras sendo agitadas substituíram na noite de quarta-feira as manifestações políticas e as bombas de gás lacrimogêneo nas ruas de Tegucigalpa, que deixou temporariamente em segundo plano a crise institucional para comemorar a classificação para a Copa do Mundo de 2010.

Desde o golpe militar de 28 de junho, Honduras se acostumou a toques de recolher, restrições à imprensa e distúrbios em passeatas. Mas desta vez o que se viu foram eufóricas celebrações e o disparo de rojões depois da vitória de 1 x 0 sobre El Salvador.

Em combinação com o crucial gol do último minuto dos EUA contra a Costa Rica, o resultado garantiu a ida de Honduras a uma Copa pela primeira vez desde a inédita participação de 1982.

"Neste momento esquecemos tudo isso de crise, estamos só comemorando. Estou feliz demais!", gritou Marlon Ramos, 23 anos, pulando numa alameda repleta de torcedores na capital.

O presidente de facto do país, Roberto Micheletti, decretou feriado nacional na quinta-feira. "Os gringos cassaram nossos vistos, mas nos deram um visto para a Copa do Mundo", disse Micheletti pela TV, referindo-se a restrições impostas pelo governo dos EUA aos integrantes do seu governo.

À primeira vista, o veterano político nomeado pelo Congresso para a Presidência parece ter se beneficiado mais com a classificação do que o seu maior rival, o presidente deposto Manuel Zelaya. Micheletti foi entrevistado por vários canais de TV e cumprimentou os integrantes da seleção.

O presidente de facto disse que, apesar do feriado nacional, as negociações com os representantes de Zelaya prosseguiriam na quinta-feira.

Zelaya está há três semanas refugiado na embaixada do Brasil, desde que voltou clandestinamente do exílio que lhe foi imposto pelos golpistas.   Continuação...

 
<p>Em crise p&oacute;s-golpe, Honduras comemora vaga na Copa do Mundo. REUTERS/Oswaldo Rivas</p>